Publicado 27/03/2026 11:27

O Hamas afirma que o plano apresentado pelo diretor do Conselho de Paz "contradiz" a proposta de Trump

O grupo critica o fato de o documento vincular seu desarmamento a questões como a retirada de Israel e o plano de reconstrução da Faixa de Gaza

26 de março de 2026, Cidade de Gaza, Faixa de Gaza, Território Palestino: Palestinos deslocados inspecionam suas barracas, que foram inundadas pela água da chuva durante uma tempestade, em meio à deterioração das condições humanitárias e à escassez de abr
Europa Press/Contacto/Matar Al-Zaq

MADRID, 27 mar. (EUROPA PRESS) -

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) criticou nesta sexta-feira a proposta apresentada pelo diretor executivo do Conselho de Paz para Gaza, Nickolai Mladenov, para o desarmamento do grupo islâmico e afirmou que ela “contradiz” o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o futuro da Faixa de Gaza, cuja aplicação foi acordada em outubro entre o grupo e o governo de Israel.

Basem Naim, membro do braço político do Hamas, indicou que “Mladenov vincula a questão das armas à entrada do comitê administrativo (palestino, que assumirá a gestão de Gaza) e das forças internacionais, à retirada dos sionistas e ao plano de reconstrução”.

Assim, ele ressaltou que isso “contradiz o acordo de Sharm el-Sheikh, a resolução 2028 do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o próprio plano de Trump”, antes de acusar o diplomata búlgaro de tentar “distorcer os fatos de forma a beneficiar a agenda da ocupação”.

Naim destacou ainda que Mladenov “ignora totalmente o fato de que a ocupação não cumpriu nada da primeira fase nem deu garantias para a aplicação de seus outros compromissos”, conforme relatado pelo jornal palestino ‘Filastin’.

“Mladenov ameaça os palestinos com um retorno à guerra em nome de (o primeiro-ministro de Israel, Benjamin) Netanyahu e seu governo fascista, em vez de ser um enviado de um conselho que se autodenomina ‘Junta de Paz’”, argumentou, ao mesmo tempo em que afirmou que o diplomata “fala de violações do cessar-fogo sem mencionar quem o viola, que são apenas os israelenses”.

Nesse sentido, ele enfatizou que “Mladenov ignora o assassinato de mais de 750 palestinos desde que o acordo foi assinado”, bem como o fato de que Israel “impede a entrada de materiais de reconstrução” e mantém restrições ao tráfego pela passagem de Rafá, na fronteira com o Egito.

“Eles querem alcançar seus objetivos às custas do nosso povo e de seus direitos legítimos para satisfazer os americanos e os israelenses”, concluiu Naim, depois que Mladenov afirmou esta semana que a primeira fase do plano para Gaza está “praticamente concluída”.

As palavras deste alto funcionário do Hamas surgiram horas depois que a emissora de televisão catariana Al Jazeera divulgou a proposta apresentada por Mladenov ao Hamas, um documento que reflete que o desarmamento do grupo, um dos componentes do acordo, seja aplicado gradualmente durante um período de várias fases que se estenderia por um total de oito meses.

De acordo com essas informações, o desarmamento seria realizado em troca do cumprimento, por parte de Israel, de suas próprias obrigações no acordo, incluindo a concessão de autorizações para a entrada de materiais de construção em Gaza e o aumento das entregas de ajuda humanitária ao enclave, embora, por enquanto, não haja confirmação oficial sobre os pontos da proposta.

ETAPAS E DIFICULDADES

O Hamas afirmou em várias ocasiões que não aceitará seu desarmamento enquanto Israel mantiver sua presença em Gaza. Atualmente, ocupa cerca de 51% do enclave após a retirada de suas tropas para a “linha amarela” estabelecida como parte do acordo, embora o grupo tenha denunciado modificações desde outubro por parte das forças israelenses para ampliar as áreas sob controle.

O grupo islamista também ressaltou que não aceitaria o desarmamento devido aos contínuos ataques por parte de Israel, apesar do cessar-fogo, sem que, por enquanto, esteja clara a viabilidade da proposta do Conselho de Paz, criado por Trump na esteira da referida proposta de paz e com funções de supervisão sobre a administração tecnocrática palestina, que também ainda não assumiu suas competências.

O plano de Mladenov prevê, segundo a Al Jazeera, que durante as duas primeiras semanas se alcance uma cessação total das operações militares e a aplicação dos protocolos humanitários por parte de Israel, após o que o comitê palestino entraria no enclave para assumir suas competências. Posteriormente, teria início o processo de desarmamento propriamente dito, incluindo a destruição dos túneis usados pelo Hamas.

Após um período de três meses, seria analisado o cumprimento das obrigações durante o período anterior, após o qual as tropas israelenses se retirariam para o perímetro de Gaza se um comitê determinasse que as facções palestinas foram desarmadas. As forças de Israel permaneceriam em um perímetro de segurança não definido até garantir a “segurança” na Faixa, embora essa indefinição possa provocar a rejeição dos grupos palestinos.

Durante esta etapa, teria início igualmente o processo de reconstrução, com a retirada das restrições impostas por Israel aos materiais de dupla utilização, como cimento, aço, fertilizantes e combustível em Gaza, onde foram confirmados mais de 72.260 mortos e cerca de 172.000 feridos desde o início da ofensiva israelense em resposta aos ataques de 7 de outubro de 2023.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado