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MADRID 25 mar. (EUROPA PRESS) -
O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) acusou nesta quarta-feira o diretor executivo do Conselho de Paz para Gaza, Nickolai Mladenov, de “favorecer a agenda da ocupação”, depois que este considerou “praticamente concluída” a primeira fase do plano para a Faixa de Gaza, apesar de cerca de 700 palestinos terem morrido em ataques de Israel desde que o acordo de cessar-fogo foi alcançado em outubro de 2025.
“Mladenov tentou mudar o curso dos acontecimentos para favorecer a agenda da ocupação, especialmente porque ignorou completamente que a ocupação não cumpriu suas obrigações na primeira fase e não ofereceu garantias reais para o cumprimento de nenhum dos compromissos futuros”, afirmou o porta-voz do Hamas, Basem Naim, referindo-se à comparecimento do diplomata búlgaro nesta terça-feira perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Em particular, o porta-voz da milícia palestina criticou o fato de Mladenov ter falado “de violações do cessar-fogo sem mencionar quem viola o acordo, ou seja, Israel”. “Mladenov ameaça nosso povo com um retorno à guerra em nome de (o primeiro-ministro israelense, Benjamin) Netanyahu e seu governo, apesar de ser um enviado de ‘paz’”, declarou em um comunicado divulgado pelo jornal ‘Filastín’, ligado ao Hamas.
Naim lamentou que Mladenov “ignore completamente os detalhes sobre a magnitude das violações, entre as quais se destacam a morte de mais de 750 palestinos desde a entrada em vigor do acordo e os 1.800 feridos, bem como a proibição da entrada de materiais de reconstrução, o descumprimento do acordo sobre a abertura do posto de fronteira de Rafá e a eliminação da ‘linha amarela’", a demarcação para a qual os militares israelenses haviam se retirado em virtude do acordo alcançado em 10 de outubro.
Assim, considerou que o diretor executivo do Conselho de Paz para Gaza “tentou mostrar-se mais monárquico do que o próprio rei” durante sua intervenção perante o Conselho de Segurança da ONU, e denunciou que este “tentou vincular tudo à questão das armas, incluindo (...), a retirada israelense e a reconstrução” do enclave palestino.
Essa condicionalidade das etapas seguintes ao desarmamento do Hamas, indicou ele, está “em contradição com o acordo de Sharm el-Sheikh e a resolução 2028 do Conselho de Segurança, e até mesmo com o próprio plano de (o presidente norte-americano Donald) Trump”.
“Esse cenário se repete há décadas por parte de todos os enviados internacionais, que buscam promover seus próprios interesses às custas do nosso povo e de seus direitos legítimos, e para cair nas graças dos americanos e israelenses”, afirmou em um comunicado no qual rejeitou “ações (que) apenas provocaram desastres e encorajaram os israelenses a persistir em sua brutalidade e fascismo, sem trazer segurança nem estabilidade a ninguém na região”.
Na véspera, Nickolai Mladenov considerou “praticamente concluída” a primeira fase do plano para Gaza, em um discurso no qual reiterou que “a reconstrução só poderá ser realizada após a certificação das fases de desarmamento”. “A realidade dos últimos 20 anos demonstra que o desarmamento verificado e uma governança palestina responsável não comprometem a segurança”, afirmou.
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