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MADRID 16 jan. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, avaliou nesta quinta-feira como um “passo importante” o lançamento da segunda fase do plano para o futuro da Faixa de Gaza patrocinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora tenha insistido que os esforços nesse sentido devem levar em conta as resoluções da ONU e o Direito Internacional.
“O anúncio, em 14 de janeiro, do lançamento da fase II do plano de 20 pontos do presidente Trump — que inclui o estabelecimento de uma administração tecnocrática palestina de transição em Gaza e do Comitê Nacional para a Administração de Gaza — constitui um passo importante”, afirmou em comunicado divulgado por seu porta-voz adjunto, Farhan Haq.
O líder português considerou que “qualquer iniciativa” que possa aliviar o sofrimento dos civis, contribuir para a recuperação e reconstrução do enclave palestino e “promover um horizonte político credível é um avanço positivo”, mas lembrou na mesma nota que a Resolução 2803, aprovada em novembro de 2025 pelo Conselho de Segurança da ONU — que inclui o envio de uma força internacional de paz — e que “todos os esforços devem ser guiados pelas resoluções pertinentes das Nações Unidas e pelo Direito Internacional”.
Guterres garantiu na mesma nota que o organismo multilateral continuará apoiando “todos” esses esforços, bem como “palestinos e israelenses para pôr fim à ocupação e ao conflito” com vistas a estabelecer a solução de dois Estados no território.
Anteriormente, em declarações perante a Assembleia Geral, ele comemorou o início desta etapa do plano americano para Gaza, mas reiterou que “a ajuda humanitária deve fluir sem obstáculos”. “O cessar-fogo deve ser implementado plenamente e o caminho deve ser aberto para uma via irreversível para uma solução de dois Estados, de acordo com o Direito Internacional”, afirmou.
Nesta mesma quinta-feira, o diretor do Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS), Jorge Moreira da Silva, deu as boas-vindas a esta fase do plano e pediu que a recuperação comece “imediatamente, incluindo o restabelecimento do acesso aos serviços básicos”.
Nesse sentido, solicitou ajuda “urgente” para a Faixa de Gaza, que tem “mais de 60 milhões de toneladas de escombros” após mais de dois anos de ofensiva israelense, e o estabelecimento de um “corredor jordaniano” que permita a entrega “direta” de suprimentos ao enclave.
“Acabo de regressar de Gaza, onde a crise humanitária se está a agravar. As pessoas estão exaustas, traumatizadas e oprimidas. As duras condições invernais e as fortes chuvas desta semana estão a duplicar a miséria e o desespero das pessoas”, declarou após visitar a Faixa, onde “em média, cada pessoa está hoje rodeada por 30 toneladas de escombros”. “É provável que sejam necessários mais de sete anos para” removê-los, lamentou.
Moreira também enfatizou a necessidade de combustível, uma vez que é “a espinha dorsal” das operações humanitárias em Gaza e de serviços vitais como saúde, água e saneamento, distribuição de alimentos, comunicações e transporte. “A população de Gaza suportou um sofrimento indescritível que nenhum ser humano deveria experimentar. A comunidade internacional deve manter seu compromisso e agir com urgência, além da resposta imediata à crise humanitária”, declarou, ao mesmo tempo em que considerou que “há muito tempo deveria ter sido alcançada uma solução política e diplomática para o conflito, para que palestinos e israelenses pudessem finalmente viver com segurança e dignidade”.
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