Publicado 12/02/2026 22:47

Guterres reconhece que não concorda com a "linguagem" de Francesca Albanese sobre Israel

A Relatora Especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, na sala de imprensa da Câmara dos Deputados, por ocasião da apresentação do novo Relatório sobre Gaza intitulado “Genocídio de Gaza: um crime coletivo”, Roma, terça-fe
Europa Press/Contacto/Roberto Monaldo

Afirma que o organismo nem sempre está “de acordo” com o que dizem os relatores especiais, mas exorta os Estados-Membros a envolverem-se com o Conselho de Direitos Humanos da ONU se não estiverem satisfeitos MADRID 13 fev. (EUROPA PRESS) -

A Secretaria-Geral das Nações Unidas reconheceu nesta quinta-feira que não concorda com a “linguagem” usada pela relatora especial da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, sobre as ações das autoridades israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, depois que os governos da França e da Alemanha pediram sua demissão esta semana. “Todos têm um papel nesta organização. Não concordamos com grande parte do que ela diz. Não usaríamos a linguagem que ela usa para descrever a situação. Ela tem um papel específico. O secretário-geral (António Guterres) tem um papel específico. Acho que você mesmo poderia comparar e contrastar suas posições”, declarou em coletiva de imprensa o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.

Nessa linha, ele apontou que, desde o organismo multilateral, “nem sempre concordamos com o que dizem” os relatores especiais e ressaltou que o trabalho deles, embora seja “completamente independente do secretário-geral, é uma parte importante da arquitetura internacional dos direitos humanos”.

Dujarric destacou que “todos têm responsabilidades, seja o secretário-geral ou os Estados-membros” e, nesse sentido, lembrou que são os governos e o Conselho de Direitos Humanos da ONU que nomeiam os relatores especiais.

“Se os Estados-membros não estão satisfeitos com o que um ou vários relatores especiais dizem, é sua responsabilidade envolver-se no trabalho do Conselho de Direitos Humanos, participar e impulsionar a direção que desejam impulsionar”, considerou.

Estas declarações surgem dias depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, se ter juntado ao seu homólogo francês, Jean-Noel Barrot, para pedir a demissão de Albanese, após este ter afirmado num discurso em vídeo, por ocasião de um evento organizado pela cadeia Al Jazira em Doha, que «como humanidade, temos um inimigo comum e liberdades comuns", o que Berlim considerou como "comentários inadequados".

Albanese defendeu que se referia ao sistema que permitiu “o genocídio na Palestina” e não a Israel como país. “O fato de que, em vez de deter Israel, a maior parte do mundo o tenha armado, dado desculpas políticas, refúgio político e apoio econômico e financeiro, é um desafio”, afirmou em seu breve discurso, divulgado em suas redes sociais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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