Europa Press/Contacto/Roberto Monaldo
Afirma que o organismo nem sempre está “de acordo” com o que dizem os relatores especiais, mas exorta os Estados-Membros a envolverem-se com o Conselho de Direitos Humanos da ONU se não estiverem satisfeitos MADRID 13 fev. (EUROPA PRESS) -
A Secretaria-Geral das Nações Unidas reconheceu nesta quinta-feira que não concorda com a “linguagem” usada pela relatora especial da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, sobre as ações das autoridades israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, depois que os governos da França e da Alemanha pediram sua demissão esta semana. “Todos têm um papel nesta organização. Não concordamos com grande parte do que ela diz. Não usaríamos a linguagem que ela usa para descrever a situação. Ela tem um papel específico. O secretário-geral (António Guterres) tem um papel específico. Acho que você mesmo poderia comparar e contrastar suas posições”, declarou em coletiva de imprensa o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.
Nessa linha, ele apontou que, desde o organismo multilateral, “nem sempre concordamos com o que dizem” os relatores especiais e ressaltou que o trabalho deles, embora seja “completamente independente do secretário-geral, é uma parte importante da arquitetura internacional dos direitos humanos”.
Dujarric destacou que “todos têm responsabilidades, seja o secretário-geral ou os Estados-membros” e, nesse sentido, lembrou que são os governos e o Conselho de Direitos Humanos da ONU que nomeiam os relatores especiais.
“Se os Estados-membros não estão satisfeitos com o que um ou vários relatores especiais dizem, é sua responsabilidade envolver-se no trabalho do Conselho de Direitos Humanos, participar e impulsionar a direção que desejam impulsionar”, considerou.
Estas declarações surgem dias depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, se ter juntado ao seu homólogo francês, Jean-Noel Barrot, para pedir a demissão de Albanese, após este ter afirmado num discurso em vídeo, por ocasião de um evento organizado pela cadeia Al Jazira em Doha, que «como humanidade, temos um inimigo comum e liberdades comuns", o que Berlim considerou como "comentários inadequados".
Albanese defendeu que se referia ao sistema que permitiu “o genocídio na Palestina” e não a Israel como país. “O fato de que, em vez de deter Israel, a maior parte do mundo o tenha armado, dado desculpas políticas, refúgio político e apoio econômico e financeiro, é um desafio”, afirmou em seu breve discurso, divulgado em suas redes sociais.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático