Publicado 19/08/2026 20:08

Guterres, “preocupado” com a licitação de assentamentos israelenses que dividiriam a Cisjordânia em norte e sul

Alerta para “uma ameaça existencial à solução de dois Estados”

JERUSALÉM, 19 de agosto de 2026  -- Esta foto, tirada em 19 de agosto de 2026, mostra uma vista da área E1 na Cisjordânia, próxima a Jerusalém. Na terça-feira, Israel deu andamento aos planos para o polêmico projeto de assentamento E1 na Cisjordânia, publ
Europa Press/Contacto/Jamal Awad

MADRID, 20 ago. (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se nesta quarta-feira “profundamente alarmado” com os novos assentamentos israelenses na Cisjordânia, “especialmente” no que diz respeito a um projeto de assentamento a leste de Jerusalém que “interromperia de fato a conexão entre o norte e o sul” do território palestino.

“O secretário-geral está profundamente alarmado com os relatos sobre novos assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia ocupada, incluindo novos editais de licitação, entre eles o da área E1” — localizada a leste de Jerusalém —, afirmou em coletiva de imprensa o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.

Especificamente, ele ressaltou que “está especialmente preocupado com a situação do assentamento (na área) E1, que interromperia de fato a conexão entre o norte e o sul da Cisjordânia”.

“Isso teria graves consequências para a integridade territorial do Território Palestino Ocupado e representaria uma ameaça existencial à solução de dois Estados”, advertiu Dujarric.

Nesse contexto, ele transmitiu que “o secretário-geral insta Israel a abster-se de adotar novas medidas a esse respeito e a agir em conformidade com as resoluções pertinentes das Nações Unidas e com o Parecer Consultivo da Corte Internacional de Justiça (CIJ) de 19 de julho de 2024”.

Esse parecer sustenta que a política de assentamentos de Israel nos territórios palestinos ocupados é contrária à Quarta Convenção de Genebra sobre o deslocamento forçado de pessoas e que, particularmente no que se refere à exploração dos recursos naturais desses territórios e à imposição de leis nacionais israelenses sobre os mesmos, constitui uma tentativa de anexação e é contrária ao Direito Internacional.

Guterres se pronunciou dessa forma após a publicação, pelo governo israelense, de uma licitação para a construção de sete complexos residenciais com 1.234 unidades habitacionais na zona E1, a leste de Jerusalém. O edital concede aos empreiteiros até 19 de outubro para apresentarem suas propostas, pouco mais de uma semana antes das eleições parlamentares de 27 de outubro.

A medida está ligada à aprovação de 3.400 unidades habitacionais na área E1 em agosto do ano passado, como parte de um plano de expansão elogiado pelo ministro das Finanças israelense, o ultranacionalista Bezalel Smotrich, que destacou na época que “praticamente elimina a ilusão dos dois Estados” ao dividir o território destinado a um Estado palestino.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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