Publicado 25/08/2026 14:33

Guterres pede a retirada “imediata” das forças israelenses de um centro educacional da UNRWA em Jerusalém Oriental

NAÇÕES UNIDAS, 1º de agosto de 2026  -- O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, fala durante uma coletiva de imprensa na sede da ONU, em Nova York, em 31 de julho de 2026. Guterres afirmou nesta sexta-feira que os combates devem cessar em todas as fr
Europa Press/Contacto/Xie E

MADRID 25 ago. (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou nesta terça-feira as autoridades de Israel a se retirarem “imediatamente” do centro de formação profissional da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) em Qalandia, em Jerusalém Oriental, e denunciou o que foi a quinta vez que invadiram “ilegalmente” suas instalações em apenas quatro meses.

O diplomata português instou o governo de Benjamin Netanyahu a “cessar imediatamente a interferência nas instalações da UNRWA, desocupar, devolver e restabelecer sem demora todas as instalações afetadas às Nações Unidas”.

Nesse sentido, conforme consta de um comunicado de seu porta-voz, Stéphane Dujarric, Guterres exigiu que o governo “proteja” o referido centro educacional contra “novas interferências ou danos”, em um dia em que as autoridades israelenses lançaram uma operação para assumir o controle do local.

O secretário-geral mostrou-se “profundamente alarmado” com uma ação que Israel justificou com um plano para construir uma estrada e um “complexo educacional” no local, e alertou que isso impedirá os alunos de continuarem sua formação.

“Há mais de 70 anos, o centro tem prestado apoio a milhares de refugiados palestinos por meio da formação profissional e de oportunidades de acesso ao emprego”, lembrou ele, antes de condenar “nos termos mais veementes” a operação realizada pelas forças israelenses.

Guterres destacou que as forças israelenses entraram “ilegalmente” no centro educacional para realizar obras “não autorizadas”, sendo esta a quinta vez que isso ocorre “desde maio”.

“As ações de hoje (...) somam-se a outras violações inaceitáveis da inviolabilidade das instalações da UNRWA na Jerusalém Oriental ocupada, bem como à interferência nessas instalações”, denunciou, ao mesmo tempo em que relembrou a demolição do complexo Sheikh Jarrah e os cortes de água e luz em outras instalações da agência.

Nesse sentido, ele qualificou essas ações como “totalmente inaceitáveis e incompatíveis com as obrigações claras que incumbem a Israel em virtude do Direito Internacional”, lembrando que o centro de treinamento de Qalandia e os demais centros da UNRWA “são invioláveis e gozam de imunidade contra qualquer forma de interferência”.

Por outro lado, voltou a exigir que Israel “revogue” a lei que proíbe, a partir do final de 2024, as atividades da agência em seu território, incluindo Jerusalém Oriental, anexada após a Guerra dos Seis Dias de 1967 e considerada ocupada desde então pela comunidade internacional.

Netanyahu destacou que nesta terça-feira teve início a “evacuação do complexo da UNRWA em Kafr Aqab”, por ordem sua, com base na referida legislação e na tentativa de vincular a UNRWA ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

O governo de Israel acusou, em várias ocasiões, a agência de supostas ligações com o movimento islâmico palestino na sequência dos ataques de 7 de outubro de 2023, embora uma investigação externa liderada pela ex-ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna, tenha descartado que as autoridades israelenses tivessem apresentado provas que sustentassem essas alegações.

A própria UNRWA denunciou em um comunicado que “as forças de segurança israelenses invadiram à força por volta das 10h (hora local)” o centro. “Pelo menos quatro veículos blindados entraram nas instalações da ONU, acompanhados por mais de 50 agentes de segurança israelenses”, detalhou.

“Aproximadamente 20 funcionários da UNRWA estavam no local naquele momento. Posteriormente, autoridades israelenses fizeram declarações públicas indicando que as autoridades israelenses haviam assumido o controle das instalações”, especificou.

A UNRWA foi criada em 1949 pela Assembleia Geral da ONU com o mandato de prestar assistência humanitária e proteção aos refugiados palestinos no Oriente Médio até que se chegasse a uma solução para sua situação. Assim, ela atua na Cisjordânia — incluindo Jerusalém Oriental —, na Faixa de Gaza, na Jordânia, no Líbano e na Síria.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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