Publicado 01/09/2026 09:47

Guterres pede moderação no Oriente Médio e uma solução pacífica no Irã que reabra o estreito de Ormuz

QUIRGUISTÃO, BISHKEK – 1º DE SETEMBRO DE 2026: António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, participa de uma reunião da SCO+ durante a Cúpula da SCO de 2026 no Centro de Congressos Yrys Ordo
Europa Press/Contacto/Vyacheslav Prokofyev

MADRID 1 set. (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu nesta terça-feira a “máxima moderação” diante da crise que assola o Oriente Médio, enfatizando, no caso do Irã, a necessidade de se chegar a uma solução “pacífica e justa” que garanta a livre navegação pelo Estreito de Ormuz.

Em seu discurso perante a Organização de Cooperação de Xangai, que reúne no Quirguistão líderes da China, Rússia, Irã, Índia e Turquia, entre outros, Guterres destacou os “efeitos de longo alcance” que os conflitos no Oriente Médio têm causado nos últimos anos. “Os acordos e os cessar-fogos são constantemente violados e os ataques continuam”, destacou ele, pedindo “máxima moderação” e que os acordos e o Direito Internacional sejam respeitados.

Em um comentário focado na situação no Irã, o chefe das Nações Unidas insistiu na necessidade de “uma solução pacífica, justa e duradoura que também salvaguarde os direitos e as liberdades de navegação internacionais, inclusive no Estreito de Ormuz e no Estreito de Bab el Mandeb e suas imediações”.

Quanto à crise em Gaza, onde Israel intensificou seus ataques apesar do cessar-fogo, ele pediu que essa trégua fosse respeitada e que o plano elaborado por Donald Trump para pôr fim à guerra em Gaza fosse aplicado “integralmente”.

“Os obstáculos que prejudicam a ajuda humanitária devem ser eliminados imediatamente”, insistiu, para ressaltar que, na Cisjordânia, “os ataques dos colonos e a expansão dos assentamentos devem cessar” e ressaltou que a saída para o conflito passa por uma solução de dois Estados “independentes, soberanos e democráticos que vivam lado a lado em paz e segurança”.

É HORA DE UM CESSAR-FOGO NA UCRÂNIA

Sobre a guerra na Ucrânia, ao completar-se quatro anos e meio de conflito iniciado pela ofensiva em grande escala da Rússia, Guterres destacou que “já é hora de um cessar-fogo total e imediato”.

O ex-primeiro-ministro português destacou que essa medida levaria a “negociações voltadas para alcançar uma paz justa, duradoura e integral”, ressaltando que qualquer solução deve estar em conformidade com o Direito Internacional, a Carta das Nações Unidas e as resoluções pertinentes da ONU.

MUNDO MULTIPOLAR

Em um fórum que precisamente evidencia a ascensão de potências como a China ou a Índia, Guterres defendeu veementemente o mundo multipolar, afirmando que é “algo positivo” e que deve ser “reforçado”. “A multipolaridade é uma condição necessária para alcançar a justiça na governança global e nas relações internacionais. E é o melhor suporte para um multilateralismo eficaz e para uma Organização das Nações Unidas a serviço de todos, sem dois pesos e duas medidas e em conformidade com a Carta”, expôs.

O chefe da ONU enfatizou, assim, a necessidade de reforma de organismos internacionais criados após a Segunda Guerra Mundial e “que continuam refletindo essencialmente a realidade de 1945 e as circunstâncias daquela época”.

“Devemos reformar nossas instituições multilaterais, incluindo as Nações Unidas e o sistema de Bretton Woods, para que reflitam as realidades atuais e aumentem a representatividade e a influência dos países em desenvolvimento, com o objetivo de construir uma ordem mundial justa”, defendeu.

O secretário-geral da ONU destacou, assim, a disposição de cooperar com o grupo de países que integram a OCS para garantir a segurança mundial, mas também para abordar a questão climática, a arquitetura financeira global e desafios como a implantação da Inteligência Artificial.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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