Europa Press/Contacto/Lin Jianjie
MADRID, 26 jul. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu neste domingo a eliminação total das sanções contra a Síria para facilitar o trabalho das autoridades que governam o país após a derrubada, no final de 2024, do regime de Bashar al Assad, em um discurso que encerra a primeira viagem de um secretário-geral da ONU ao país desde 2009.
“Congratulo-me com as medidas que aliviaram as sanções e abriram novas possibilidades para a recuperação econômica. Mas todas essas sanções devem ser suspensas imediatamente. E a recuperação dependerá de muito mais”, afirmou Guterres em sua última aparição diante da imprensa, depois de, neste sábado, ter dedicado principalmente suas declarações a pedir a Israel que encerrasse suas operações militares em solo sírio, que estão impossibilitando uma solução para o conflito histórico nos Altos do Golã.
Os Altos do Golã são um território que Israel tomou da Síria durante a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra do Yom Kippur (1973) e que anexou efetivamente em 1981, uma ação não reconhecida pela comunidade internacional.
Além disso, em dezembro de 2024, Israel violou o Acordo de Separação com a Síria ao entrar na porção dos Altos do Golã sob supervisão da ONU, aproveitando-se do colapso do regime de Bashar al Assad. O governo israelense justificou a medida por motivos de segurança, dada a incerteza do momento, mas continua sem se retirar, apesar da formação de um novo governo sob o comando do ex-líder jihadista Ahmed al Shara, reconhecido pelos Estados Unidos.
“A Síria precisa que seus parceiros de desenvolvimento e as instituições financeiras internacionais retomem seu envolvimento, de modo a ajudar a liberar o potencial econômico do país e a reconectar a Síria à vida econômica regional e mundial, pois uma Síria estável, próspera e inclusiva beneficiará a todos os sírios”, acrescentou Guterres.
Enquanto isso, o presidente Al Shara revelou, em entrevista à emissora pan-árabe Al Jazeera, que está elaborando um plano para chegar a um acordo de segurança com Israel, com a participação de vários países, sem comprometer o direito da Síria às Colinas do Golã ocupadas, sem fornecer, por enquanto, mais detalhes a respeito.
Al Shara também garantiu que a Síria não tem intenção de lançar qualquer intervenção militar no vizinho Líbano, apesar dos repetidos rumores sobre o assunto, mas que está discutindo com as autoridades libanesas formas de ajudar o país a superar sua crise atual e encaminhá-lo rumo à segurança.
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