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MADRID 24 ago. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um apelo nesta segunda-feira para que se apoie um mecanismo promovido pela ONU para registrar e supervisionar navios que transportem fertilizantes e produtos similares pelo Estreito de Ormuz.
“O que é necessário agora é a cooperação e a vontade política das partes. Exorto todos os envolvidos a participarem de maneira séria e construtiva. Esse mecanismo não substitui o restabelecimento total dos direitos e liberdades de navegação, nem as soluções políticas necessárias para pôr fim a esses conflitos. No entanto, constitui um primeiro passo prático”, destacou.
Liderada pelo diretor do Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS), Jorge Moreira da Silva, essa iniciativa permitiria “reduzir os riscos imediatos, favorecer um tráfego mais ordenado e previsível”, bem como ajudar a reconstruir a confiança necessária para a diplomacia e a redução da tensão”.
“A alternativa é uma perturbação contínua, uma desconfiança mais profunda e dificuldades crescentes para pessoas muito além das regiões diretamente afetadas. Mas quero ser bem claro: o exercício sem restrições dos direitos e liberdades de navegação é um pilar fundamental da manutenção da paz e da prosperidade compartilhada, e deve ser respeitado”, afirmou.
O secretário-geral explicou que a iniciativa é um mecanismo de verificação para navios que transportam fertilizantes e produtos afins, em um estágio inicial, “que conta ainda com um sistema de resolução de conflitos com sede em Omã”.
“Já realizamos uma reunião com todas as partes envolvidas”, afirmou ele, acrescentando que, posteriormente, esse mecanismo poderia ser ampliado para incluir outros produtos comerciais e insumos, transformando-o em uma iniciativa humanitária marítima mais abrangente enquanto os bloqueios persistirem.
Questionado sobre a possibilidade de a ONU precisar da aprovação do Irã, Guterres afirmou que isso não alteraria os direitos ou obrigações de nenhum Estado. “O que defendemos é que, se em determinado momento isso ainda não for possível, estaríamos dispostos a contar com um mecanismo (...) que conte com o acordo soberano dos Estados envolvidos”, acrescentou.
O grupo, criado em março passado, é liderado pela UNOPS em colaboração com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a Organização Marítima Internacional (OMI) e a Câmara de Comércio Internacional.
O tráfego comercial sofreu uma redução drástica devido aos confrontos entre os Estados Unidos e o Irã, que, além de bloquearem o Estreito de Ormuz, fizeram disparar os preços do petróleo, os custos de transporte e dos fertilizantes.
Somente no Estreito de Ormuz, os preços do petróleo permanecem 37% mais altos desde o início do conflito, enquanto as tarifas globais de contêineres são 84% superiores às de um ano atrás, segundo Guterres.
“Essas crises estão sufocando as artérias do comércio mundial e pressionando com especial severidade o sistema alimentar global. O resultado é evidente: preços mais altos, fome crescente, safras mais escassas e maior sofrimento, especialmente para as pessoas mais vulneráveis do mundo”, lamentou o diplomata.
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