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MADRID, 25 ago. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconhece a sua preocupação com a situação do conflito do Saara Ocidental, que em breve completará 50 anos, e por isso apela ao Marrocos e à Frente Polisário para uma "mudança urgente de rumo" para evitar uma nova escalada e buscar uma "solução política justa e duradoura".
Foi o que fez em seu último relatório sobre a ex-colônia espanhola, apresentado ao Conselho de Segurança no final de julho, que abrange o que aconteceu em relação a essa disputa no último ano, ao qual a Europa Press teve acesso.
Nele, Guterres admite que continua "extremamente preocupado com os acontecimentos no Saara Ocidental", depois de observar que, no terreno, "a tensão e as hostilidades de baixa intensidade entre o Marrocos e a Frente Polisário" persistiram nos últimos doze meses.
Na opinião do alto funcionário da ONU, "a deterioração contínua da situação é alarmante e insustentável e requer uma mudança urgente de rumo com o objetivo de evitar uma nova escalada" no conflito, depois que a Polisario encerrou o cessar-fogo alcançado entre as partes em 1991 em novembro de 2020 e, desde então, houve uma série de ataques e bombardeios entre os dois lados.
A este respeito, o Secretário-Geral apelou a "todas as partes envolvidas", sem citar especificamente o Marrocos e a Polisario, para "se esforçarem para mudar de rumo sem demora, com a facilitação das Nações Unidas e o apoio da comunidade internacional em geral, em direção a uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável".
UMA SOLUÇÃO É URGENTEMENTE NECESSÁRIA
Guterres acredita que agora, 50 anos após o conflito, quando o Marrocos assumiu o controle da antiga colônia espanhola, que a ONU considera um território pendente de descolonização, "continua sendo mais urgente do que nunca chegar a uma solução política para a questão do Saara Ocidental".
A esse respeito, ele está convencido de que "é possível encontrar uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável que proporcione a autodeterminação do povo do Saara Ocidental, de acordo com as resoluções do Conselho de Segurança".
Seu enviado especial, Staffan de Mistura, está trabalhando nessa solução e, no último ano, manteve contatos tanto com o Marrocos quanto com a Polisario, bem como com a Argélia, principal defensora da tese saharaui, e com a Mauritânia, além de representantes de outros países, entre os quais o relatório não menciona a Espanha, um antigo potencial colonial.
De acordo com o relatório, tanto em seu comparecimento perante o Conselho de Segurança em outubro de 2024 quanto em abril de 2025 para explicar seus esforços para mediar entre as partes e "avançar construtivamente o processo político", De Mistura "observou com apreço as expressões de apoio de seus interlocutores aos esforços das Nações Unidas para facilitar uma solução política para a situação no Saara Ocidental".
Em outubro passado, como a Europa Press informou na época, o enviado especial para o Saara levantou a questão da divisão do território, embora tenha dito que nem o Marrocos nem a Polisario estavam de acordo, e também pediu a Rabat mais detalhes sobre seu plano de autonomia para a ex-colônia espanhola.
AUTONOMIA GANHA APOIO
Esse plano continuou a ganhar apoio ao longo do último ano, de acordo com o relatório de Guterres, que lembra que a França o endossou em julho de 2024 e o Reino Unido fez o mesmo em junho passado, seguindo os passos dos Estados Unidos, o primeiro país a reconhecer o status marroquino do Saara em dezembro de 2020, e da Espanha, que endossou o plano de autonomia em uma carta do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, a Mohammed VI em março de 2022 como "a base mais séria, credível e realista" para resolver a disputa.
Apresentado pelo reino alauíta em 2007, o documento de três páginas propõe autonomia para o Saara dentro do Marrocos, mas desde então não foram fornecidos detalhes sobre como essa opção seria implementada, uma opção rejeitada categoricamente pela Polisario, que insiste em realizar um referendo sobre autodeterminação.
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