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Alerta de que "o rumo da guerra corre o risco de sair do controle"
MADRID, 29 maio (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fez nesta quinta-feira um “apelo direto” ao Conselho de Segurança para uma “desescalada imediata e sustentada” da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, exigindo um cessar-fogo “total e incondicional” e um maior grau de diplomacia diante de uma situação que, como ele ressaltou, “não é sustentável”.
"O pessoal humanitário foi atacado. Continuam as graves violações do Direito Internacional Humanitário. O número de vítimas continua aumentando”, alertou Guterres, apontando tanto para o território russo, onde haveria “um número crescente de vítimas civis, incluindo crianças”, quanto para a Ucrânia, onde “nos primeiros quatro meses deste ano, morreram mais civis do que no mesmo período de 2025, 2024 ou 2023”.
De fato, o número de vítimas civis na Ucrânia desde fevereiro de 2022 chega a mais de 15.000, “entre elas quase 800 crianças”, advertiu o secretário-geral, citando informações verificadas pelo Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos.
Enquanto isso, “a frente está praticamente congelada, com enxames de drones causando inúmeras baixas”, e a infraestrutura civil “está sendo destruída em grande escala, especialmente a energética”, destacou.
“Isso poderia se prolongar indefinidamente. Mas o rumo da guerra — a escalada e a intensificação que testemunhamos — corre o risco de sair do controle”, afirmou o líder português, que demonstrou sua preocupação com as “consequências desconhecidas e imprevistas” que poderiam decorrer da referida escalada.
Por isso, considerou que “o rumo atual não é sustentável” e fez um “apelo direto” aos Estados-membros do Conselho, reivindicando a urgência de uma mudança de trajetória e da interrupção da “espiral de morte”.
“O que é necessário agora é uma desescalada imediata e sustentada (...), um cessar-fogo total e incondicional (...), mais diplomacia”, argumentou Guterres antes de apresentar, como última reivindicação, a criação de “condições para uma paz justa, duradoura e integral, em consonância com a Carta das Nações Unidas, o Direito Internacional e as resoluções da ONU”.
“A escolha é clara. A responsabilidade é clara. O momento da paz é agora”, concluiu.
Seu apelo coincidiu com o mesmo dia em que o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, alertou sobre o recrudescimento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e exortou ambas as partes a voltarem à mesa de negociações para “pôr fim ao sofrimento” causado pela guerra, desencadeada em fevereiro de 2022 pela ordem de invasão assinada pelo presidente russo, Vladimir Putin.
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