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Mais de 15.000 civis mortos e 41.000 feridos, um conflito que “continua a ser uma mancha na nossa consciência coletiva” MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou nesta terça-feira perante o Conselho de Segurança da ONU que “as violações dos direitos humanos” foram “generalizadas” durante os quatro anos de guerra na Ucrânia e garantiu que o conflito “continua a ser uma mancha na nossa consciência coletiva”. “O custo humano é catastrófico. Apesar dos esforços diplomáticos sem precedentes, o ano passado foi o mais letal para a população civil ucraniana desde 2022. Mais de 15.000 civis foram mortos na Ucrânia desde o início da invasão e mais de 41.000 ficaram feridos”, indicou durante seu discurso, lido pela secretária-geral adjunta de Assuntos Políticos e Consolidação da Paz, Rosemary Di Carlo.
Guterres afirmou que “a situação das crianças ucranianas é particularmente grave”. “Mais de 3.200 crianças foram mortas ou feridas. Mais de um terço das crianças ucranianas continuam deslocadas e estima-se que 2,2 milhões necessitem de assistência humanitária”, argumentou. Em outro ponto do discurso, o secretário-geral da ONU referiu-se aos casos de violações generalizadas dos direitos humanos, como tortura, violência sexual e até mesmo execuções de prisioneiros de guerra e detidos civis. “Esses atos ocorreram praticamente sem responsabilização”, afirmou. Guterres também destacou os recentes ataques em grande escala que mataram e feriram dezenas de civis, além de privar milhões de pessoas de eletricidade, aquecimento e água por “longos períodos”, inclusive na capital, Kiev.
“Com temperaturas abaixo de zero, os ataques aos sistemas de eletricidade, aquecimento e água tornam o acesso a serviços básicos uma questão de vida ou morte. Os civis na Federação Russa também estão cada vez mais afetados pelos ataques ucranianos”, observou.
Nesse sentido, reiterou que o Direito Internacional é “inequívoco” ao determinar que “os ataques contra civis e infraestruturas civis são estritamente proibidos”. “Exorto ambas as partes a aplicarem uma moratória imediata a todos esses ataques”, sublinhou.
Por outro lado, o secretário-geral da ONU detalhou que os combates em curso “representam riscos diretos para as operações das instalações nucleares ucranianas”. “Este jogo de roleta nuclear, que não faz sentido, deve terminar imediatamente”, disse ele, transmitindo seus parabéns às equipes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) por seu trabalho.
Guterres também afirmou que, apesar do acesso limitado e da deterioração da situação de segurança, as equipes da ONU continuam trabalhando para “reparar a infraestrutura danificada, manter as pessoas abrigadas e sustentar serviços essenciais”.
O secretário-geral — que acolheu “com satisfação” as trocas de prisioneiros e pediu que fossem tratados de acordo com as leis internacionais — também solicitou “medidas concretas para diminuir os combates sem demora e criar espaço para a diplomacia”.
“Quanto mais esta guerra durar, maior será o sofrimento e maiores serão os riscos para a paz e a segurança regional e internacional”, alertou, acrescentando que qualquer acordo de paz “deve ser justo, duradouro e abrangente”, além de estar em conformidade com o direito internacional, incluindo as resoluções e a Carta da ONU.
Guterres reiterou também que um potencial acordo “deve defender a soberania, a independência e a integridade territorial da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas. Basta de mortes. Basta de destruição. Chega de vidas destruídas e futuros arruinados”, afirmou. Por isso, afirmou que é “hora” de as partes chegarem a um “cessar-fogo imediato, pleno e incondicional”, um acordo que seria “o primeiro passo para uma paz justa que salve vidas e ponha fim ao sofrimento sem fim”.
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