Europa Press/Contacto/Omar Ashtawy
MADRID, 22 jul. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral da ONU, António Guterres, denunciou nesta terça-feira o "horror que está sendo vivido" na Faixa de Gaza, onde a ofensiva do exército israelense deixou mais de 59.100 palestinos mortos até o momento, enquanto cerca de cem pessoas, a maioria crianças, morreram de fome devido às severas limitações na entrega de ajuda humanitária.
Guterres denunciou perante o Conselho de Segurança da ONU o "total desrespeito à lei internacional" sem "nenhuma responsabilidade" em um "momento de crescentes divisões e conflitos geopolíticos". "E o custo é impressionante, medido em vidas humanas, comunidades destruídas e futuros perdidos", disse ele.
"Basta olhar para o horror em Gaza, com um nível de morte e destruição sem precedentes nos últimos tempos. A desnutrição está aumentando vertiginosamente. A fome está batendo em todas as portas. E agora estamos testemunhando o último suspiro de um sistema humanitário construído com base em princípios humanitários. A esse sistema estão sendo negadas as condições para funcionar, o espaço para fazer entregas, a segurança para salvar vidas", denunciou.
O chefe da ONU disse que, com a intensificação das operações militares israelenses e as novas ordens de evacuação emitidas em Deir al-Bala'a, "a devastação está aumentando". "Estou consternado com o fato de as instalações da ONU terem sido atacadas (...), apesar de todas as partes terem sido informadas sobre a localização dessas instalações (...) que são invioláveis e devem ser protegidas sem exceção", disse ele.
No entanto, ele aproveitou a oportunidade para lembrar que, além de Gaza, em outras partes do mundo, como Ucrânia, Sudão, Haiti e Birmânia, "os conflitos estão aumentando, o direito internacional está sendo pisoteado e a fome e o deslocamento estão atingindo níveis recordes". "O terrorismo, o extremismo violento e o crime transnacional continuam sendo flagelos persistentes que tornam o acesso à segurança ainda mais difícil", acrescentou.
Nesse contexto, Guterres reconheceu que "a diplomacia pode nem sempre ter sido bem-sucedida na prevenção de conflitos, violência e instabilidade", mas garantiu que "ela ainda tem o poder de detê-los". Ele enfatizou que "a paz é uma escolha" e que "o mundo conta com o Conselho de Segurança da ONU para ajudar os países a fazer essa escolha".
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