Publicado 17/06/2026 02:37

Guterres defende a realização de eleições “confiáveis” no Haiti

10 de junho de 2026, Nova York, Nova York, Estados Unidos: O secretário-geral António Guterres participa da reunião do Conselho de Segurança sobre o tema “Promovendo soluções políticas no Oriente Médio: mediação e diálogo para uma paz duradoura”, tendo a
Europa Press/Contacto/Lev Radin

MADRID 17 jun. (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou nesta terça-feira a importância de que sejam realizadas eleições “confiáveis” no Haiti, em condições “mínimas” de segurança, de modo a “acelerar” o “processo político” e que se possa “restabelecer a confiança” entre a população.

“O povo haitiano já esperou demais”, lamentou Guterres durante sua visita a Porto Príncipe, capital do Haiti, após destacar que, com cerca de 6,4 milhões de pessoas que precisam de ajuda humanitária, o Haiti enfrenta a “crise humanitária mais grave do hemisfério ocidental”. Por isso, considerou de vital importância que seus líderes busquem “acelerar o processo político e restabelecer a confiança”.

Defendendo que são os haitianos que devem “trazar o caminho”, o secretário-geral considerou que tal processo de recuperação da confiança entre a população deve ocorrer por meio de etapas de transição “inclusivas”, bem como de eleições “credíveis”, pois, insistiu, essa é a “única via legítima” para “restabelecer a ordem constitucional e as instituições democráticas”.

“Existe uma vontade generalizada de realizar eleições transparentes, eleições cujos resultados tenham a confiança do povo, e também uma noção clara de que não se podem realizar eleições sem que existam condições mínimas de segurança”, afirmou após relatar ter mantido um encontro “muito enriquecedor” com membros da sociedade civil.

Questionado sobre a possibilidade de as eleições serem realizadas em dezembro próximo, Guterres evitou se pronunciar sobre uma possível data “adequada”, embora tenha considerado que, para a realização das eleições, será importante seguir duas vias paralelas: uma relacionada à segurança e outra à criação das condições necessárias para a realização de eleições transparentes.

“Acredito que a decisão final sobre a data das eleições dependerá de como essas duas vertentes paralelas evoluírem. Não me cabe a mim dizer qual é a data adequada”, insistiu ele, deixando essa decisão a cargo do governo central e da própria população, com cujo primeiro-ministro, Alix Didier Fils-Aimé, se reuniu durante sua breve viagem ao país.

A esse respeito, vale lembrar que o Haiti não tem um presidente eleito desde o assassinato do último mandatário, Jovenel Moïse, em julho de 2021.

A QUESTÃO DAS GANGUES

De acordo com dados citados pela própria ONU, estima-se que pelo menos 26 gangues, algumas fortemente armadas, controlem até 90% de Porto Príncipe e seus arredores. Esses grupos, aponta a organização em um comunicado, “semear o terror entre a população por meio de atos de violência, execuções sumárias, extorsões e sequestros para pedir resgate, além de obstruir o comércio ao bloquear a livre circulação de mercadorias”.

De fato, desde o início deste ano de 2026, a violência das gangues já deixou, até o momento, um saldo de “mais de 2.300 mortos e mais de 1.100 feridos”. Por isso, o secretário-geral destacou a importância da Força de Supressão de Gangues (GSF, na sigla em inglês), uma missão aprovada em setembro de 2025 pelo Conselho de Segurança da ONU para substituir a Missão Multinacional de Apoio à Segurança.

“Sua mobilização oferece uma verdadeira oportunidade para conter a violência e restaurar a autoridade do Estado”, destacou Guterres, apelando para que essa oportunidade não seja “desperdiçada”, após defender que as gangues devem ser “desarmadas e desmanteladas”, e seus membros “reintegrados em um processo liderado pelo Haiti”.

É importante levar em conta, conforme destaca a ONU em comunicado à imprensa, que a GSF recebe apoio logístico, operacional e técnico do Escritório de Apoio da ONU no Haiti (UNSOH), o que inclui o fornecimento de rações, atendimento médico e transporte.

A base, conhecida como Camp Vertières, está sendo equipada para receber parte dos 5.550 efetivos autorizados pelo Conselho de Segurança para a força. De fato, tropas enviadas por vários países já vivem na base, onde também estão sendo instalados escritórios em contêineres.

Por fim, após lamentar que a comunidade internacional não esteja, em sua opinião, “plenamente comprometida” com o apoio ao Haiti, Guterres criticou a ausência de “países desenvolvidos” na hora de contribuir para a GSF, ao mesmo tempo em que instou os considerados “em desenvolvimento” a participarem desse tipo de operação.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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