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Lembre-se de que o Conselho de Segurança concedeu à Junta de Paz impulsionada por Trump um mandato específico para a Faixa de Gaza MADRID 30 jan. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu nesta quinta-feira que “os problemas globais não serão resolvidos com uma única potência no comando”, em alusão aos Estados Unidos, e defendeu, em vez disso, um mundo “multipolar” e “interconectado” para alcançar a paz e corrigir a situação atual em que “a lei do poder prevalece sobre o poder da lei”.
“Os problemas globais não serão resolvidos com uma única potência no comando. Tampouco serão resolvidos com duas potências que dividem o mundo em esferas de influência rivais”, afirmou em um discurso à imprensa, ao final do qual precisou que se referia, concretamente, aos Estados Unidos e, no segundo cenário, à China.
A este respeito, reconheceu que o Direito Internacional está a ser “pisoteado” e que as instituições multilaterais estão a ser “atacadas” no meio de uma “impunidade (que) impulsiona os conflitos atuais”. O dirigente português também alertou que “o facto de os próprios membros do Conselho de Segurança violarem o Direito Internacional não facilita as coisas para a ONU”.
Perante estes conflitos, Guterres admitiu que os sistemas de resolução da ONU “estão obsoletos”, uma vez que “refletem as estruturas económicas e de poder de há 80 anos”, embora tenha defendido a vigência dos “valores” subjacentes à Carta das Nações Unidas. Estes, defendeu, “não eram abstrações elevadas nem esperanças idealistas”, mas sim “a condição sine qua non para uma paz e uma justiça duradouras”.
Por isso, defendeu seu objetivo de “reformar e fortalecer o Conselho de Segurança, o único órgão com autoridade, conferida pela Carta, para agir em favor da paz e da segurança em nome de todos os países”, ao mesmo tempo em que fez um apelo em favor de uma “multipolaridade interconectada”, citando como exemplo acordos comerciais recentes, como o firmado entre a União Europeia e o Mercosul.
PEDE A SEGUNDA FASE DO PLANO DE PAZ DE GAZA E UM ALTO-FUEGO REAL
O secretário-geral da ONU também se referiu ao Conselho de Paz promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma organização que, embora tenha um mandato do Conselho de Segurança para completar o plano deste para a Faixa de Gaza, não menciona em seu estatuto o enclave palestino, enquanto o mandatário e promotor do Conselho tem apontado repetidamente que o órgão poderá substituir as Nações Unidas no futuro. “O Conselho de Segurança é o único com autoridade conferida pela Carta para agir em nome de todos os membros em questões de paz e segurança. Somente o Conselho de Segurança pode tomar decisões vinculativas para todos, e nenhum outro órgão ou coalizão 'ad hoc' pode exigir legalmente que todos os Estados-membros cumpram as decisões sobre paz e segurança", afirmou, defendendo as competências oficiais dessa entidade frente às que poderiam eventualmente ser atribuídas ao Conselho de Paz.
Perante esta situação, Guterres insistiu na resolução do Conselho de Segurança que limita a função do Conselho de Paz à Faixa de Gaza e cujo cumprimento descreveu como “absolutamente essencial”.
Nessa linha, argumentou que “o país com mais poder para pressionar Israel são os Estados Unidos”, o próprio impulsionador do conselho, e insistiu na implementação de um cessar-fogo “real”, descrevendo a situação atual como “um fogo menor, ou seja, um cessar-fogo, mas (onde) o fogo continua”.
Os repetidos ataques israelenses na Faixa de Gaza mataram mais de 490 palestinos, de acordo com os números divulgados nesta quarta-feira pelas autoridades de Gaza, controladas pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), apesar da cessação das hostilidades supostamente em vigor desde 10 de outubro de 2025.
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