Publicado 29/07/2026 15:17

Guterres alerta para o risco de a guerra no Oriente Médio se alastrar após os ataques dos EUA e da Arábia Saudita no Iraque

DAMASCO, 26 de julho de 2026  -- O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, realiza uma coletiva de imprensa durante sua visita à Síria, em Damasco, Síria, em 26 de julho de 2026. Guterres visitou a Síria no sábado, prometendo apoio contínuo da ONU à re
Europa Press/Contacto/Ammar Safarjalani

MADRID 29 jul. (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou nesta quarta-feira que o conflito no Oriente Médio está se alastrando, em resposta ao ataque lançado pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita contra várias instalações das milícias pró-iranianas das Forças de Mobilização Popular (FMP) em território iraquiano, que resultou em pelo menos 20 mortos e 32 feridos.

“O secretário-geral vem manifestando preocupação há algum tempo de que, se as partes não retornarem à mesa de negociações, o conflito possa se alastrar, e isso parece ser o que vem ocorrendo nas últimas horas”, afirmou em coletiva de imprensa seu porta-voz adjunto, Farhan Haq, ao ser questionado sobre o recrudescimento das hostilidades na região.

O diplomata português, continuou Haq de Nova York, “já deixou clara sua preocupação com qualquer retomada dos combates e com qualquer escalada e ampliação do conflito” desencadeado há cinco meses com a ofensiva lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.

Assim, o porta-voz de Guterres lamentou que os últimos acontecimentos não sejam “positivos”, por isso o secretário-geral da ONU “deseja garantir que as partes possam cessar os combates e retomar os esforços diplomáticos, incluindo os esforços de mediação que estão sendo impulsionados pelo Paquistão, pelo Catar e por outros países”.

Questionado sobre a participação da Arábia Saudita nos ataques lançados contra o território iraquiano, Haq alertou que o fato de “haver mais partes envolvidas nos combates” e de “esses se estenderem a um número maior de países” significa que “são acontecimentos negativos e podem nos levar a uma situação muito pior do que a anterior”.

Suas declarações foram feitas depois que pelo menos 20 pessoas morreram e mais de trinta ficaram feridas na madrugada desta quarta-feira, em ataques perpetrados pelas forças americanas e sauditas contra várias instalações das FMP nas províncias iraquianas de Bagdá, Wasit, Nínive, Basora, Kirkuk, Kerbala e Diyala.

Essas milícias fazem parte legalmente do Exército iraquiano, embora não estejam integradas ao Exército regular, mas operem como um ramo militar independente, com estrutura própria e orçamento estatal. No entanto, várias de suas facções já iniciaram processos para entregar suas armas ao Estado, sob pressão exercida pelo governo central e por atores internacionais.

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) explicou que aviões de combate americanos e sauditas atacaram “múltiplas instalações logísticas e de armamento” de “terroristas no leste do Iraque”, argumentando que esses ataques são uma “resposta” aos “mais de 30 ataques aéreos com drones comandados pela Guarda Revolucionária nas últimas 72 horas” contra território saudita, em referência aos ataques lançados a partir do Iraque por essas milícias ligadas a Teerã.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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