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MADRID 12 maio (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou nesta segunda-feira que, em sua opinião, não existe uma “solução militar” para Cuba, ao mesmo tempo em que defendeu a manutenção de um “diálogo construtivo” para que o povo cubano “não continue sofrendo” da forma “dramática” como está sofrendo atualmente.
“Estamos muito preocupados com a situação humanitária em Cuba”, destacou Guterres em uma coletiva de imprensa na qual defendeu que “não há uma solução militar que se possa buscar” para a ilha, pelo que apelou para “manter um diálogo significativo para garantir que o povo cubano não continue sofrendo de forma tão dramática como está sofrendo”.
Vale lembrar que, no início deste mês de maio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aludiu à possibilidade de seu país “assumir o controle” de Cuba em um futuro próximo, sugerindo até mesmo uma hipotética intervenção militar, após encerrar suas operações no Irã.
As palavras de Guterres vieram acompanhadas de uma crítica ao último pacote de sanções do presidente norte-americano contra a ilha, algo que foi qualificado pelo presidente cubano Miguel Díaz-Canel como “agressão unilateral” e ao qual o secretário-geral se referiu como uma violação do Direito Internacional.
“Nossa posição em relação às sanções contra Cuba é muito clara. Todos os anos é aprovada uma resolução da Assembleia Geral que considera que essas sanções violam o Direito Internacional”, argumentou o secretário-geral das Nações Unidas.
SOBRE UMA POSSÍVEL “SITUAÇÃO SEMELHANTE” À DA VENEZUELA
Na mesma coletiva de imprensa, Guterres foi questionado sobre a possibilidade de ocorrer uma “situação semelhante” à que aconteceu em janeiro passado na Venezuela, quando os Estados Unidos realizaram uma incursão militar no país, que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas, juntamente com sua esposa, Cilia Flores, sendo ambos transferidos para Nova York, onde permanecem detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn.
A esse respeito, o secretário-geral da ONU afirmou não acreditar que seja “possível” que ocorra uma “situação semelhante” porque, segundo ele, “a Venezuela era completamente diferente”. “Na Venezuela, para ser sincero, assistimos a uma operação militar contra (Nicolás) Maduro, mas tenho a impressão de que houve uma grande cumplicidade dentro do sistema político venezuelano”, argumentou, acrescentando que traçar um paralelo entre os dois países lhe parece “uma comparação injusta”.
Na sequência dessas declarações de Guterres, o Executivo venezuelano se pronunciou, expressando, por meio de um comunicado, seu “firme protesto”, por considerar que suas palavras “contêm afirmações impróprias para seu alto cargo” e são “contrárias aos princípios de objetividade, prudência, imparcialidade e boa-fé” consagrados na Carta das Nações Unidas.
“Essas declarações refletem a deterioração progressiva de um Secretariado-Geral incapaz de contribuir eficazmente para a paz e para a solução dos grandes conflitos que hoje abalam a humanidade”, reza o texto divulgado nas redes sociais pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil.
Na opinião de Miraflores, “nunca antes” a ONU “havia enfrentado uma deterioração tão profunda de sua credibilidade perante os povos do mundo”, ao que se soma o fato de ver o Secretariado-Geral “incapaz de garantir equilíbrio e adesão aos princípios da Carta das Nações Unidas diante dos atuais desafios globais”.
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