Publicado 24/09/2025 21:56

A Guiana leva as "repetidas agressões" da Venezuela à ONU e desafia o direito internacional

Archivo - UNITED NATIONS, Sept. 21, 2023 -- O presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, faz um discurso no Debate Geral da 78ª sessão da Assembleia Geral da ONU na sede da ONU em Nova York, em 20 de setembro de 2023.
Europa Press/Contacto/Li Rui - Arquivo

Caracas diz que o discurso do presidente está "cheio de falsidades e submissão aos interesses" dos Estados Unidos e da empresa petrolífera ExxonMobil.

MADRID, 25 set. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Guiana, Irfaan Ali, denunciou nesta quarta-feira perante a Assembleia Geral das Nações Unidas que o governo venezuelano "persiste com leis unilaterais e ameaças de anexação" sobre o Essequibo, uma região que ocupa dois terços do território guianense e que Caracas reivindica, e questionou a utilidade do direito internacional ao lembrar que o Executivo de Nicolás Maduro se recusou a cumprir as ordens emitidas a esse respeito pela Corte Internacional de Justiça (CIJ).

"Se os direitos de um pequeno Estado podem ser pisoteados e as ordens legalmente vinculantes ignoradas, que proteção resta a qualquer nação sob o direito internacional?", perguntou, embora tenha assegurado que seu país, um Estado "pequeno e pacífico", "continua confiando" no direito internacional.

Ali fez essa declaração de Nova York, onde denunciou as "repetidas ameaças e agressões" de Caracas, incluindo as eleições de maio passado nessa região, apesar de a CIJ "ter confirmado sua jurisdição em duas ocasiões e, em 2023, ter emitido medidas provisórias ordenando que a Venezuela se abstivesse de alterar o status quo".

"A Venezuela persiste com leis unilaterais e ameaças de anexação, violando flagrantemente o direito internacional, a Carta das Nações Unidas e os princípios que sustentam a ordem global", acrescentou, antes de defender que "os princípios de soberania, integridade territorial e não interferência não são negociáveis" e garantir que as autoridades guianenses não cederão "à coerção, intimidação ou ações unilaterais".

A resposta da Venezuela veio de seu ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, que descreveu as palavras de Ali como "um discurso cheio de falsidades, manipulação e submissão aos interesses do império e das corporações transnacionais".

Em uma mensagem publicada em seu canal Telegram, ele considerou que o presidente da Guiana "finge ser uma vítima quando, na realidade, atua como administrador da (empresa petrolífera norte-americana) ExxonMobil e herdeiro da tutela colonial britânica".

"Ele (Ali) fala sobre direito internacional enquanto desconsidera o Acordo de Genebra de 1966, entregando unilateralmente recursos em um território disputado e pisoteando a soberania que ele afirma defender. Isso realmente constitui uma violação da Carta das Nações Unidas", criticou ele, antes de declarar que "o povo da Venezuela tem certeza de que o Essequibo é nosso por história e por direito, e não serão as mentiras e a corrupção daqueles que vendem sua terra natal que mudarão essa verdade".

O Essequibo é um território de 159.542 quilômetros que possui importantes recursos naturais - petróleo, gás, mineração, água e florestas - e um grande potencial para o turismo. Ele é administrado pela Guiana de acordo com uma sentença arbitral de 1899.

A disputa entre a Venezuela e a Guiana sobre o Essequibo remonta a quase dois séculos, embora somente há cinco anos, com a descoberta de importantes depósitos de petróleo sob suas águas, o conflito tenha sido reacendido.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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