Publicado 25/09/2025 12:26

Guerín aborda "a ambição da universalidade" a partir do "minúsculo" em 'Historias del buen valle'.

O diretor José Luis Guerín (c) posa com a equipe do documentário durante a apresentação de 'Historias del Buen Valle' no Festival de Cinema de San Sebastian, em 25 de setembro de 2025, em San Sebastian, Guipuzcoa, País Basco (Espanha). O filme retorna
Unanue - Europa Press

Ele confessa que sua "limitação" é que só sabe filmar "por afeto", porque para ele "o cinema é uma forma de construir pontes".

SAN SEBASTIÁN, 25 set. (EUROPA PRESS) -

O cineasta José Luis Guerín aborda "a ambição de universalidade" com base em algo "minúsculo", como o subúrbio de Vallbona, em Barcelona, que, no entanto, "pode conter as grandes metáforas do mundo" e que ele tentou "tornar visível" em seu último filme, 'Historias del buen valle', que ele está apresentando no 73º Festival de Cinema de San Sebastian.

No filme, os mundos rural e urbano coexistem com uma soma de imaginários, conflitos sociais, geracionais, de identidade, urbanos e ecológicos que retratam o mundo atual.

Guerín apresentou esse filme, que foi encomendado pelo MACBA para um projeto de exposição sobre pessoas desfavorecidas em Barcelona, acompanhado pelo produtor Jonás Trueba - dos produtores Jonás Trueba de Los Ilusos Film - e Galle Jones.

Como ele explicou, Vallbona o desafiou "de maneira profunda" e, depois dessa encomenda, ele sentiu que "precisava continuar". "O roteiro é a ferramenta essencial para a obtenção de financiamento", explicou, acrescentando que ele "começa a escrever o roteiro, então é preciso começar do nada". "Eu realmente entendo o filme quando tenho algo filmado", ressaltou.

Nesse sentido, ele confessou que Trueba "salvou sua vida" para poder realizar esse projeto que lhe tomou "quase dois anos e meio". "Jonás gosta de cinema e deixou escapar que, se pudesse, me ajudaria", explicou sobre como conseguiu fazer com que esse filme saísse do papel depois de contatos anteriores sem sucesso com quatro produtoras catalãs.

"Ele estava disposto a me ajudar", lembrou, destacando a "capacidade de trabalho" de Trueba e Jones e seus "olhares respeitosos, mas sempre muito sugestivos". "Eu me senti muito acompanhado", garantiu.

Ele também destacou que não faz distinção entre seus próprios filmes e os encomendados, porque "o importante é o envolvimento, como se apropriar de um assunto por meio da maneira como você o vê", e é isso que provoca "o desejo" de desenvolver um trabalho.

Guerín explicou que um lugar "tão pequeno" como Vallbona "pode conter as grandes metáforas do mundo, gentrificação, mudança climática, imigração, especulação imobiliária, conflitos de identidade, guerra". "É uma caixa de ressonância para algo tão contemporâneo, tão abrangente", reconheceu.

Nesse sentido, ele ressaltou que o que o levou a fazer esse filme foi essa "ambição de universalidade, por menor que ela seja". "Essa vocação universal, em um território tão pequeno, provoca meu desejo", destacou, fazendo alusão a esse bairro de Barcelona que, embora não se lembrasse, visitou em 1977 com um amigo, o economista Jordi Catalá.

Na época, ele teve que realizar pesquisas para o recém-legalizado partido PSUC em bairros da periferia de Barcelona. "Ele me lembrou que eu já havia estado lá", disse ele.

Ele também destacou que o primeiro contato cinematográfico com Vallbona foram algumas gravações em Super 8 em preto e branco, como resultado de uma encomenda do MACBA, que ele incorpora no início de 'Historias del buen valle', que também busca "tornar visível" esse bairro "muito escondido".

"Há painéis publicitários na rua que quase impossibilitam a visão, o que me fez pensar na cidade Potemkin. "É emocionante para um cineasta tornar visível o que você não pode ver", confessou.

Perguntado sobre a 'identidade' das pessoas, Guerín destacou que está "muito preocupado", tanto em nível local quanto global, devido à "ameaça da violência dos atuais nacionalismos e imperialismos que paira sobre o mundo, e como isso pode afetar meus personagens".

IDENTIDADE "VIVA

Segundo ele, o nacionalismo entende a identidade "como algo estático, a ser mumificado, que, dependendo dos interesses, está situado em um momento ou outro", mas para o cineasta "a identidade não pode ser estratificada, ela é viva, está sempre em movimento, está sendo construída".

Nesse contexto, ele destacou que gosta da expressão 'work in progress', que usa no filme, como referência a "um bairro em construção de uma nova identidade em que se sobrepõem as memórias dos camponeses mais originais, os imaginários dos imigrantes que chegaram do sul e os que chegam ao século XXI com uma nova lógica global".

Ele enfatizou que Vallbona é "uma soma de memórias", mas também "uma ausência de memória" de seus novos vizinhos. Como ele explicou, durante as filmagens, ele tentou garantir que o enquadramento "fosse a favor desses diversos imaginários".

Nesse sentido, ele explicou que seu conhecimento dos protagonistas do filme, vizinhos do bairro, tem "ditado as diretrizes estéticas", nas quais "a justaposição de imaginários" está presente.

"Foi muito difícil ver as imagens desse bairro sem levar em conta aqueles que o olham", disse ele, acrescentando que às vezes "as coisas não podem ser vistas sem penetrar em certos olhares".

Com relação ao casting, ele explicou que muitos moradores da área se apresentaram e, após uma primeira abordagem, ele levou em conta "como eles definiam a imagem humana do bairro", do qual ele queria dar uma visão "justa", porque "sempre foi muito maltratado" e que, além disso, representava "problemas" reais do mime, "como o despejo".

LIMITAÇÃO

Por outro lado, Guerín reconheceu que, como cineasta, ele tem "uma limitação", que só sabe filmar "por afeto". "Eu não conseguiria filmar meu inimigo, procuro maneiras de apontar a monstruosidade, mas não conseguiria filmar meu inimigo", explicou. Ele confessou que "não seria capaz de fazer um filme sobre Pinochet ou Trump".

Para esse cineasta, "fazer filmes é uma forma de construir pontes e criar relacionamentos". "Essa é a única maneira de ver as coisas", enfatizou, ao mesmo tempo em que destacou que, para ele, fazer filmes é "pura arte". Por sua vez, Trueba reconheceu que poder "acompanhar Guerín de maneira muito humilde" nesse projeto "é uma honra". "Acho que eu e muitos cineastas da minha geração devemos isso a ele", concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado