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MADRID, 23 jul. (EUROPA PRESS) -
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã assumiu, nesta quinta-feira, a autoria de um ataque contra instalações de defesa, aeronaves e equipamentos militares dos Estados Unidos nas bases militares de Ali al Salem e Al Adiri, no Kuwait, no contexto das hostilidades que vêm se sucedendo entre Washington e Teerã há doze dias consecutivos.
“A Guarda Revolucionária Islâmica, em retaliação ao Exército dos Estados Unidos, assassino de crianças, e à sua interferência no Estreito de Ormuz, atacou e destruiu um grande depósito de equipamentos militares, um sistema de defesa antimísseis Patriot e um hangar de drones americanos MQ-9 na base aérea Ali al Salem”, afirmou o braço militar iraniano em um comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim, ligada à própria Guarda.
Além disso, também afirmou ter atacado a base de Al Adiri, tendo como alvos específicos “as instalações de alojamento das forças americanas (e) dois hangares de helicópteros”. “Além de abater e ferir vários agressores, (as forças da Guarda Revolucionária) causaram graves danos a vários helicópteros e drones”, afirma o texto.
Além disso, o órgão militar também alegou ter atacado “uma torre de telecomunicações”, o que justificou como “resposta aos ataques norte-americanos contra torres de telecomunicações no Irã”.
ARGUMENTA NÃO VIOLAR A SOBERANIA DOS PAÍSES ONDE ATACA
“Às vezes, diz-se que o Irã violou a independência, a integridade territorial e a soberania de países com seus ataques, mas tal julgamento é completamente errôneo”, argumentou a Guarda Revolucionária em uma parte do mesmo comunicado, dirigido ao “povo do Kuwait”, no qual defende suas retaliações na região.
Em contrapartida, defendeu que “a independência, a integridade territorial e a soberania de seu governo (em alusão específica ao do Kuwait) são plenamente respeitadas”.
“Que tipo de lugar é uma base norte-americana em um país?”, questionou o corpo militar, que definiu essas instalações como locais onde, “sem o controle de seus guardas de fronteira, norte-americanos e qualquer pessoa que desejem, às vezes prisioneiros de outros países, entram e saem”.
“São os Rangers do Exército dos Estados Unidos que impõem a disciplina ali, não seus guardas militares. O juiz norte-americano julga os crimes cometidos ali, não o juiz deles. Lá vigora a lei norte-americana, não a deles, nem mesmo a de suas forças armadas. Nem mesmo o ministro da Defesa deles tem o direito de entrar ali sem a permissão dos Rangers dos Estados Unidos”, alegou.
Por isso, defendeu a Guarda, “são os Estados Unidos que violaram sua integridade territorial e soberania, não nós”. “Estamos atacando territórios ocupados pelo Exército dos Estados Unidos, um Exército que não conhece nada além do crime”, retrucou.
Os argumentos apresentados pela Guarda Revolucionária respondem a reclamações como as esboçadas nesta quarta-feira pelo secretário-geral do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo (CCG), Jasem Mohamed Al Budaiwi, que, entre outras reivindicações, exigiu que “se salvaguardem a soberania e a integridade territorial dos Estados”, qualificando a conduta iraniana como “inaceitável” e “incompatível com a Carta das Nações Unidas”.
Vários países da região aderiram a essas exigências. De fato, o governo da Espanha manifestou, nesta mesma quarta-feira, sua condenação aos recentes ataques do Irã contra os países do Golfo e a Jordânia, fazendo um apelo por uma “desescalada urgente” e pelo respeito ao “cessar-fogo” no conflito entre Washington e Teerã.
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