Publicado 19/02/2026 16:19

A Guarda Civil aponta a ruptura da calha ou falha na soldadura como principal hipótese.

Archivo - Arquivo - Agentes da Guarda Civil inspecionam a via férrea onde descarrilaram dois trens de alta velocidade em Adamuz (Córdoba)
GUARDIA CIVIL - Arquivo

MONTORO (CÓRDOBA), 19 (EUROPA PRESS)

A Guarda Civil aponta a ruptura do carril ou a falha na soldadura como as principais hipóteses que causaram o acidente ferroviário de Adamuz (Córdoba) ocorrido há um mês, no qual morreram 46 pessoas e houve mais de 120 feridos, segundo confirmaram à Europa Press fontes do caso.

A este respeito, a Guarda Civil apresentou um primeiro relatório sobre as causas na Secção Civil e de Instrução do Tribunal de Primeira Instância de Montoro, praça número dois, que instrui o caso, ao qual a Europa Press teve acesso, e no qual também figuram como hipóteses “o estado geral do conjunto constituído por travessas, balastro, carril, clipes e soldaduras”; “um acidente causado pela circulação do trem envolvido ou de trens anteriores, devido a algum incidente com a estrutura do próprio trem, como a queda de uma peça ou o engate com a infraestrutura ferroviária”; “um acidente por condução negligente ou imprudente”.

Da mesma forma, indica-se que “entre outras causas, ainda não determinadas, estão incluídas uma ação de sabotagem ou terrorismo”, “falta de prevenção”, “falta de manutenção” e “uso de materiais inadequados”, embora “atualmente não se possa descartar nem corroborar nenhuma das linhas de investigação no seu todo”, conforme indicado no relatório datado de 5 de fevereiro.

Nesse sentido, as fontes explicaram que se trata de “um primeiro relatório a título de resumo” das ações realizadas pelos agentes da Guarda Civil em relação ao acidente ferroviário e que analisa as circunstâncias que envolveram o evento, embora tenham salientado que a ruptura do carril ou a falha na soldadura figuram como as principais hipóteses que causaram o acidente, no qual o comboio Iryo com destino a Madrid descarrilou e, em poucos segundos, colidiu com o Alvia que se dirigia para Huelva. “PROBLEMA DE INFRAESTRUTURAS FERROVIÁRIAS”

Em relação à hipótese do “problema de infraestruturas ferroviárias”, o relatório explica que “tendo em conta que se produziu a ruptura de um carril e da soldadura e com os dados recolhidos até à data, não sendo possível determinar se foi a ruptura do carril que deu origem à da soldadura ou vice-versa, estão sendo investigadas diferentes causas”, entre elas “um trilho ou carril com defeito de fabricação”.

Uma das causas do descarrilamento do comboio Iryo, com a informação disponível à data da redação do relatório, «pode ter sido a ruptura do carril, marcado com a inscrição «Ensidesa» do ano 2023, aço de grau R350HT, do carril em direção a Madrid». No dia 26 de janeiro, foi solicitado à Adif que fornecesse dados sobre o lote de trilhos utilizados no trecho afetado pelo acidente. “Este pedido está pendente de resolução e foi reiterado em 29 de janeiro”, especifica-se. Também se indica que uma das causas do descarrilamento do trem Iryo, com as informações disponíveis até a data da elaboração do relatório, pode ter sido “a ruptura da solda” que unia nesse ponto o trilho com outro do ano de 1989. Para tal efeito, os agentes solicitaram, em 26 de janeiro, a identificação dos operários que realizaram a soldadura dos trilhos. “Este pedido teve de ser reiterado no dia 29 de janeiro”.

Além disso, em 30 de janeiro, o pessoal do Laboratório de Criminalística da UOPJ de Córdoba realizou um reportagem fotográfica de outras soldaduras na zona. Em 3 de fevereiro, procedeu-se à relação e ao selamento, à disposição judicial, de todas as soldaduras retiradas pela Adif e depositadas na sua Base de Hornachuelos (Córdoba).

Em 4 de fevereiro, foi solicitado à Adif o relatório das soldaduras realizadas entre os quilômetros 316 e 318 do trecho Guadalmez-Córdoba e foram novamente solicitados os dados dos operários que executaram as soldaduras, bem como a certificação de habilitação dos referidos operários para realizar as soldaduras.

“Uma vez que, tanto pela causa da ruptura do trilho quanto da soldagem, deve ter ocorrido uma queda de tensão nos circuitos da via, que, embora não tenha sido possível apreciar nos dados recebidos, poderia estabelecer o momento em que ocorreu a ruptura e, além disso, corroboraria essas duas hipóteses — um trilho ou carril com defeito de fabricação ou uma soldagem defeituosa —”, de modo que, no dia 4 de fevereiro, foram solicitadas informações sobre os dados de tensão nos circuitos da via entre as 00h00 do dia 12 de janeiro e as 20h00 do dia 18 de janeiro.

Quanto ao “estado geral do conjunto composto por travessas, balastro, trilhos, grampos e soldaduras”, com o objetivo de verificar o estado de todos os elementos descritos e “se tal estado poderia ter afetado a ruptura do trilho ou da soldadura”, em 26 de janeiro foram solicitadas informações e documentação relativas ao concurso público para as obras, à empresa responsável pela intervenção, à empresa executora final da intervenção e à empresa responsável pela última intervenção no troço onde ocorreu o acidente. OUTRAS HIPÓTESES

Quanto a outras hipóteses, o relatório aponta para “um acidente causado pela circulação do trem envolvido ou de trens anteriores, devido a algum incidente com a estrutura do próprio trem, como a queda de uma peça ou o engate com a infraestrutura ferroviária”. A fim de confirmar ou descartar esta linha de investigação e na falta de resultados que “justifiquem a presença de peças ou indícios que constituam alguma evidência que reforce esta suposição”, em 2 de fevereiro foi solicitado à Iryo o último relatório de inspeção técnica realizado no trem, bem como toda a documentação relacionada com o mesmo, “na falta de resposta”, juntamente com outros pedidos.

Também figura “um acidente por condução negligente ou imprudente”. Nesta hipótese, estão a ser investigados os dois maquinistas envolvidos, “cuja atuação, embora não diretamente, indiretamente pode ter influenciado o desenrolar dos fatos”. No caso do Alvia, o maquinista faleceu, pelo que, na ausência dos resultados toxicológicos, dispõe-se da informação do registrador técnico da Renfe e dos depoimentos que “não indicam, a priori e na ausência dos dados recolhidos, qualquer ação anómala, negligente ou imprudente, sendo o acidente totalmente surpreendente e sem tempo de reação para o maquinista”.

No caso do maquinista do comboio Iryo, que saiu ileso, «foram-lhe realizados testes de alcoolemia e de drogas, que deram resultados negativos». Da mesma forma, foram recolhidos depoimentos de membros da tripulação, um maquinista, operadores e, na falta dos dados contidos no RJU, “a sua atuação não evidencia imprudência ou negligência”. Por tudo o que foi exposto, “não se pode descartar definitivamente esta hipótese, na falta de completar a informação pendente de recolher”. CAUSAS NÃO DETERMINADAS

Entre outras causas, “ainda não determinadas”, incluem-se “uma ação de sabotagem ou terrorismo”. Está sendo investigado se a ruptura do trilho ou da solda pode ter sido “causada por um corte com algum tipo de maquinário ou pelo uso de alguma substância corrosiva ou explosiva que corroborasse essa hipótese”.

Em 30 de janeiro, foi solicitada autorização para que o Laboratório de Criminalística da Guarda Civil realizasse estudos sobre a presença dessas substâncias, “não tendo sido resolvido até o momento”. Por tudo o que foi exposto, “não se pode, até o momento, descartar essa hipótese, na falta de informações pendentes”, afirma o relatório. Da mesma forma, está sendo investigado “se a falta de medidas preventivas ou de supervisão impediu a detecção da presença de algum risco na via, como pode ser uma ruptura do trilho ou da solda”. Nesta hipótese, também se inclui “uma má execução da soldadura, seja por ação do soldador, seja pelo uso inadequado do kit de soldadura, uma vez que, em qualquer caso, deveria ter sido detectada no âmbito das tarefas de supervisão que deveriam ter sido realizadas”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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