PALMA, 16 jul. (EUROPA PRESS) -
A Guarda Civil acusou as duas jovens ativistas detidas na quarta-feira por supostamente vandalizarem cinco imobiliárias no município de Santa Maria del Camí, em Maiorca, de pertencerem a um grupo criminoso.
Esse é um dos três crimes — além de um por danos e outro contra o patrimônio histórico — pelos quais elas foram levadas perante um juiz em Palma, que concedeu-lhes liberdade provisória.
Os investigadores, no boletim de ocorrência encaminhado ao tribunal e consultado pela Europa Press, associam os atos de vandalismo à publicação do manual de Menys Turisme, Més Vida e Arran Mallorca, no qual se promove a ação direta não violenta contra elementos ligados ao setor turístico.
Mais especificamente, a Guarda Civil afirma que as duas detidas, juntamente com outras pessoas — todas com o rosto coberto e carregando mochilas, sprays e martelos —, vandalizaram cinco imobiliárias.
Elas colocaram cola nas fechaduras de vários estabelecimentos, quebraram uma câmera de segurança, quebraram uma janela e fizeram pichações com mensagens como “Fora, gringos”, “Arruix expats” ou “Fuck tourist”. Os denunciantes estimaram em pouco mais de 1.500 euros o custo dos reparos dos danos.
Esses atos, afirmam os policiais, seguem “o padrão estabelecido” e coincidem “em todos os aspectos” com o referido manual de ação direta, embora este tenha sido publicado após os fatos.
No entanto, parece-lhes “no mínimo chamativo” que coincida tanto o alvo mencionado no folheto — a imobiliária Engel&Volker — quanto as recomendações para evitar possíveis investigações, como cobrir o rosto ou as tatuagens.
UMA FAIXA COM “SOS RESIDENTS”
As duas detidas, no entanto, foram filmadas por uma câmera de vigilância com o rosto à mostra, vestindo suas roupas habituais e indo na direção oposta à do restante de seus companheiros, que fugiram em um veículo.
Isso levou os policiais a suspeitar que elas poderiam ser residentes no próprio município de Santa Maria. Uma das detidas foi identificada por meio de uma van de sua propriedade e foi seguida até sua residência.
Os investigadores consideraram “extremamente chamativo” o fato de haver uma faixa pendurada na fachada com o slogan ‘SOS Residents, Stop Overtourisme’, o que, na opinião deles, confirmou “sem sombra de dúvida” a suposta “atividade criminosa” da jovem.
Chegaram até a outra ativista detida rastreando as redes sociais da primeira, já que elas apareciam juntas em várias fotos. Também realizaram vigilância em Santa Maria e Palma para fotografá-la e garantir que se tratasse da mesma pessoa que havia sido filmada pelas câmeras de segurança.
AGIRAM DE FORMA “COORDENADA E PREMEDITADA”
A Guarda Civil não deteve mais ninguém por esses fatos, embora mantenha a investigação em andamento e não descarte a possibilidade de novas prisões.
Conforme consta no boletim de ocorrência, a Guarda Civil identificou um jovem suspeito de ter participado dos atos de vandalismo, mas que se encontra no exterior. Ele é associado aos fatos por sua afinidade com grupos como o Menys Turisme e as duas detidas, além da presença do carro de sua mãe nas proximidades das imobiliárias.
Quanto aos demais suspeitos, acusados de agir de forma “coordenada e premeditada”, não consta nos documentos consultados que os investigadores tenham conseguido obter qualquer informação.
Embora as duas detidas tenham optado por não prestar depoimento na delegacia, elas colaboraram com os policiais, entregando-lhes algumas peças de roupa que usavam no dia dos fatos. A Guarda Civil também inspecionou seus celulares.
UMA RESPOSTA AO “COLAPSO TURÍSTICO”
Os investigadores dedicam parte de seu relatório à análise das plataformas cidadãs, grupos locais, assembleias e outras organizações surgidas na esteira do “colapso turístico que afeta o arquipélago das Ilhas Baleares”, um debate que está “na ordem do dia” há anos.
São grupos “perfeitamente estruturados” que contam, entre seus integrantes, com equipes centrais que coordenam as assembleias, os grupos de trabalho, os responsáveis pela imprensa e pela comunicação e até mesmo serviços jurídicos.
As duas mais ativas atualmente, destaca a Guarda Civil, são a Arran Mallorca, de caráter independentista e que promove a realização de “atos revolucionários não violentos”, e a Menys Turisme, Més Vida, com foco em “impor limites ao turismo” e promotora do referido manual de ação.
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