Publicado 08/06/2026 08:47

Grossi pede ao Irã que retome o diálogo com a AIEA em meio a uma retórica "hostil" e à escalada regional

Teerã acusa a agência de "parcialidade deliberada" por não abordar as causas do conflito

KIGALI, 20 de maio de 2026  -- O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Mariano Grossi, profere seu discurso na cerimônia de abertura da Cúpula de Inovação em Energia Nuclear na África (NEISA 2026), em Kigali, Ruanda, em 19 de m
Europa Press/Contacto/Cyril Ndegeya

MADRID, 8 jun. (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, fez um apelo nesta segunda-feira ao Irã para que retome o diálogo com a agência nuclear da ONU em meio a uma retórica “hostil” e à recente escalada regional decorrente dos ataques iranianos contra Israel.

Grossi afirmou durante uma coletiva de imprensa que estamos no meio de uma fase “complicada”. “A retórica está novamente mais hostil, mas já vimos isso antes, e também já vimos momentos em que as coisas tendem a se acalmar um pouco”, argumentou, em resposta a uma pergunta sobre os recentes ataques do Irã contra Israel.

O secretário-geral da AIEA explicou que teve contatos “esporádicos” com o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, embora tenha dito que o canal de comunicação entre as partes está “rompido”. “Quando há bombardeios em curso, as inspeções não são possíveis, mas há muitas coisas que podem ser feitas e o importante é esse diálogo, que está praticamente interrompido”, indicou.

Por outro lado, Grossi expressou que espera que as partes não assinem um acordo sobre o programa nuclear iraniano “sem uma avaliação técnica” por parte da agência da ONU. “Espero que não o façam. Dois países podem acordar o que quiserem, mas acredito que até eles próprios reconheceriam que um acordo sem a devida verificação é uma ilusão de acordo. É um pedaço de papel”, observou.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, repreendeu Grossi nesta segunda-feira, em uma coletiva de imprensa, por sua “parcialidade deliberada” contra Teerã ao não colocar o foco na origem do conflito: os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra instalações nucleares do Irã, segundo informou a agência Mehr.

"O diretor-geral da AIEA continua insistindo em uma abordagem inadequada e pouco construtiva, ignora a causa da situação atual e apenas presta atenção aos sintomas. Se os funcionários da AIEA estão preocupados, deveriam culpar aqueles que estão causando essa situação”, lamentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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