Publicado 01/08/2025 04:06

O GRECO adverte a Espanha por não ter cumprido suas recomendações sobre assessores e a reforma da proteção legal dos juízes.

O Ministro da Presidência, Félix Bolaños, durante uma conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, no Palácio Moncloa, em 22 de julho de 2025, em Madri (Espanha). O Conselho de Ministros aprovará uma nova declaração nesta terça-feira, 22 de julho
Jesús Hellín - Europa Press

Ele lamenta que a regulamentação dos lobbies ainda não tenha se concretizado e critica o fato de que ela não inclui a obrigação de publicar as agendas.

MADRID, 1 ago. (EUROPA PRESS) -

O Grupo de Estados contra a Corrupção (GRECO) do Conselho da Europa adverte a Espanha que não cumpriu suas recomendações sobre a regulamentação dos assessores políticos, nem sobre a reforma da figura do "aforamiento". Também lamenta que a regulamentação dos grupos de interesse ou "lobbies" ainda não tenha se concretizado e tenha deixado de fora a obrigação de tornar públicas as agendas dos lobistas e dos funcionários de alto nível.

Em seu relatório de 2019, o GRECO recomendou que a Espanha fortalecesse o regime aplicável aos assessores, equiparando os requisitos de transparência e integridade aos dos altos funcionários com funções executivas, mas considera que até o momento isso não foi implementado, de acordo com o relatório de acompanhamento dessas medidas, ao qual a Europa Press teve acesso.

No entanto, admite que o governo tomou algumas medidas nessa área, especificamente no chamado "Plano de Ação para a Democracia", que inclui iniciativas nesse sentido: como o cumprimento de normas de idoneidade, a obrigação de boa reputação e a formação adequada para o cargo.

A lei elaborada pelo governo também inclui medidas relacionadas ao regime de exclusividade e um catálogo rigoroso de incompatibilidades, bem como a obrigação de tornar públicas as declarações de atividades e bens e também os salários e as agendas desses consultores políticos. Todas essas obrigações são comparáveis àquelas de funcionários públicos de alto nível, como ministros ou parlamentares.

No entanto, o GRECO conclui que a lei ainda não foi aprovada pelo Conselho de Ministros e, portanto, não foi possível avaliá-la, de modo que não pode considerar que esse objetivo de regulamentar o trabalho dos assessores tenha sido alcançado.

FACILITAÇÃO DE PROCESSOS CONTRA O GOVERNO

Por outro lado, adverte o governo de Pedro Sánchez de que não cumpriu outra das recomendações que fez em 2019, a reforma dos aforamientos, para que essa figura não atrapalhe os processos judiciais contra membros do governo acusados de corrupção.

O relatório observa que as autoridades espanholas se referem a várias reformas empreendidas por diversas entidades subnacionais, mas nenhuma mudança em nível estadual, que é o objeto dessa avaliação, apontam.

O executivo argumenta que o aforamiento não isenta de responsabilidade os que estão sendo investigados, mas deixa a investigação nas mãos da Suprema Corte. De qualquer forma, o órgão observa que não houve progresso tangível na adoção dessa recomendação.

OPORTUNIDADE PERDIDA

Com relação à regulamentação dos lobbies, o GRECO observa que os esforços para regulamentar os grupos de interesse ainda não se "materializaram na prática" e lamenta que a exigência de publicar as agendas dos altos funcionários que se reúnem com eles continue pendente. Ele chega a falar de uma "oportunidade perdida" por não incluir essa obrigação na lei que está sendo elaborada atualmente.

Embora ele se congratule com a aprovação do projeto de lei sobre transparência e integridade das atividades dos grupos de interesse em janeiro passado, ele enfatiza que a medida ainda está em processo parlamentar no Congresso dos Deputados e ainda não foi aprovada.

Ele também critica o fato de que a lei se concentra apenas nos lobistas e não dá muita atenção aos altos funcionários que se reúnem com eles e que podem estar sujeitos à influência.

Por outro lado, ele detecta um progresso parcial em algumas medidas, como transparência e acesso a documentos oficiais "desde a entrada em vigor da convenção do Conselho da Europa" sobre o assunto, embora ainda expresse preocupação com os "longos tempos de resposta" e as dificuldades de acesso público.

MAIS INDEPENDÊNCIA PARA O ESCRITÓRIO DE CONFLITO DE INTERESSES

Nesse sentido, destaca-se que o Conselho de Transparência e Boa Governança ganhou maior independência, embora sua capacidade sancionadora total ainda esteja pendente de aprovação legislativa.

Também considera que as restrições de emprego para pessoas que ocuparam cargos políticos, as chamadas "portas giratórias" e os requisitos de divulgação financeira precisam ser fortalecidos.

Em particular, no que diz respeito ao monitoramento independente e à publicação de dados financeiros desagregados. A esse respeito, a Comissão ressalta que o Escritório de Conflito de Interesses ainda carece de independência real e de orçamento próprio.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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