MADRID 8 mar. (EUROPA PRESS) -
O Parlamento grego rejeitou na sexta-feira uma moção de censura apresentada pela oposição contra o governo do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis por sua responsabilidade no acidente de trem mortal que ocorreu em fevereiro de 2023 na cidade de Tempe, na região da Tessália, e que resultou em 57 mortes.
A moção de censura, que vem sendo debatida há três dias, foi apresentada por 85 parlamentares do Partido Socialista Pan-helênico (PASOK), da Coalizão da Esquerda Radical (SYRIZA), da Nova Esquerda e do Curso da Liberdade.
A votação foi de 157 votos contra e 136 a favor. A iniciativa tinha poucas chances de sucesso, já que o partido governista Nova Democracia tem 156 assentos no parlamento grego de 300 lugares.
Mitsotakis reconheceu que o acidente foi "o momento mais difícil" de sua carreira política e disse que o que aconteceu em Tempe foi "uma falha do aparato estatal". "Assumi a responsabilidade política que era minha desde o início", disse ele.
Ele também acusou o líder do PASOK, Nikos Androulakis, de apresentar uma moção de censura sem "uma alternativa", descrevendo a oposição como uma "aliança heterogênea de niilistas". "Nenhum plano, nenhuma alternativa, nem mesmo para os trens", enfatizou, de acordo com o jornal grego 'Kathimerini'.
"O primeiro-ministro foi eleito porque os cidadãos gregos votaram nele e esse partido tem maioria parlamentar. Até as próximas eleições, este governo terá a maioria que os cidadãos lhe deram nas eleições anteriores, quer eles gostem ou não", acrescentou.
Mitsotakis também se manifestou a favor da reforma do artigo 86 da constituição - que concede imunidade aos políticos - durante um debate acalorado que foi interrompido quando um grupo de manifestantes jogou cédulas da galeria superior pedindo a renúncia do primeiro-ministro.
Androulakis disse que "há uma deterioração na qualidade da democracia" na Grécia. "Isso vem ocorrendo há vários anos. É preciso mudar", enfatizou, acrescentando que o governo "bombardeia o povo com mentiras" para esconder sua responsabilidade pelo acidente.
PELO MENOS 61 PRISÕES
Fora do parlamento, milhares de manifestantes se reuniram na Praça Syntagma. Embora os protestos tenham sido inicialmente pacíficos, a situação piorou com o passar das horas e cenas violentas foram testemunhadas.
Os policiais, que efetuaram 61 detenções no total, das quais sete se transformaram em prisões, tentaram dispersar a multidão em meio a uma batalha campal entre o lançamento constante de foguetes, bombas de fumaça e pedras, de acordo com o jornal grego 'Ta Nea'.
Por sua vez, a polícia informou em um comunicado que, pouco depois das 22 horas locais, "um grupo de indivíduos com o rosto coberto, enquanto a multidão não se retirava, lançou dois ataques sucessivos atirando bolas de gude, sinalizadores e coquetéis molotov contra os esquadrões da paz".
"As forças policiais repeliram os agressores com movimentos táticos, sem usar outros meios, até que a evacuação da maioria da multidão fosse garantida".
O acidente, que ocorreu quando o trem de passageiros estava percorrendo a distância entre Atenas e Tessalônica com 350 passageiros a bordo, provocou inúmeros protestos nos últimos meses contra o que muitos consideraram o resultado de décadas de negligência com o setor.
Desde então, os sobreviventes e parentes das vítimas alegam que os políticos, que não podem ser acusados e só podem ser investigados pelo parlamento, estão se escondendo atrás da proteção concedida a eles pela lei grega, em vez de "assumir a responsabilidade" pela falta de sistemas de segurança adequados.
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