MARCELO HERNANDEZ/ATON CHILE - Arquivo
MADRID 22 jun. (EUROPA PRESS) -
A maioria dos governos de esquerda da América Latina expressou sua condenação ao bombardeio dos Estados Unidos contra três instalações nucleares iranianas, liderado por países como Venezuela, Cuba e Chile, enquanto a Argentina defende veladamente o ataque e outros países, como Brasil, Equador e El Salvador, permanecem em silêncio até o momento.
Um dos primeiros a reagir foi o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que republicou a mensagem de sua ministra das Relações Exteriores, Laura Sarabia: "A paz não pode ser construída com mísseis". O comunicado do ministério colombiano pede o retorno às negociações e "rejeita o uso unilateral da força". Ele também pede que Teerã "continue a cumprir integralmente e de forma verificável seus compromissos de não proliferação".
"A Colômbia reafirma seu compromisso com a diplomacia, com a solução pacífica de controvérsias e com o fortalecimento do multilateralismo como forma de preservar a paz e a segurança internacionais", diz o comunicado.
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel condenou "energicamente" os bombardeios dos EUA, que "constituem uma perigosa escalada do conflito no Oriente Médio".
Em uma declaração posterior e mais detalhada, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba denunciou essa "agressão covarde" como uma violação "grave" da Carta da ONU e da lei internacional.
"A agressão dos Estados Unidos contra o Irã (...), incentivada pelo governo genocida de Israel, deve ser interrompida", pediu, antes de reiterar sua solidariedade com o povo e o governo iranianos. "Com essa medida irresponsável, os Estados Unidos estão sequestrando de forma imprudente a busca pela paz regional e arrastando a humanidade para uma crise de consequências incalculáveis", alertou.
Ele também lembra que as instalações nucleares iranianas atacadas "estão sob o regime de salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica", portanto esse bombardeio "também viola seriamente o Tratado de Não Proliferação Nuclear".
"Apelamos mais uma vez à Assembleia Geral da ONU e ao Conselho de Segurança da ONU para que exerçam sua responsabilidade primária pela manutenção da paz e da segurança internacionais, para que se mobilizem globalmente para condenar a agressão e impedir sua continuação, e para que ajam incansavelmente para restaurar a paz com a urgência e a determinação que o momento exige", conclui a declaração.
A Venezuela também condenou o ataque, que, de acordo com o presidente Nicolás Maduro, "ignora até mesmo as leis dos EUA". A mensagem postada no Telegram pede "PAZ, PAZ, PAZ". "É o que a humanidade quer, e da Venezuela levantamos nossa voz para defender a construção de um mundo de respeito, igualdade, diálogo, sem violência e sem guerra", argumentou.
O governo venezuelano, um dos mais próximos do Irã na região, também expressou sua "absoluta solidariedade com o nobre povo do Irã, seu governo e com o mundo bom que luta pela soberania e pela paz". Uma declaração posterior do Ministério das Relações Exteriores também condenou a "escalada irresponsável" que poderia ter "consequências de proporções incalculáveis".
Em termos semelhantes, o presidente da Bolívia, Luis Arce, se manifestou contra o ataque "arbitrário" dos EUA ao Irã. "Bombardear alvos dessa natureza não apenas coloca em risco a paz regional e global, mas também viola os princípios fundamentais do direito internacional e da Carta da ONU", disse ele em sua conta no X.
Para o presidente chileno, Gabriel Boric, ele lembrou que "atacar usinas nucleares é proibido pelo direito internacional" e condenou esse ataque porque "ter poder não autoriza você a usá-lo em violação das regras que demos a nós mesmos como humanidade. Mesmo que você seja os Estados Unidos. Exigimos e precisamos de paz", destacou também em X.
Por outro lado, o presidente argentino, Javier Milei, não publicou uma reação formal, mas republicou uma mensagem com duas fotos de Milei com Benjamin Netanyahu e Donald Trump e o texto "Depois de tanto, que bom ver nosso país do lado certo da história".
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