Publicado 30/09/2025 10:00

O governo vê a proposta de Trump como "uma oportunidade para a paz", mas insiste em respeitar a lei internacional.

O Ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, durante uma coletiva de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros, em 9 de setembro de 2025, em Madri (Espanha). O Ministério da Saúde apresentou ao Conselho
Carlos Luján - Europa Press

A Albares incentiva as partes a explorarem as possibilidades que ela oferece, sem entrar no conteúdo da proposta.

MADRID, 30 set. (EUROPA PRESS) -

O governo considera que a proposta feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pôr fim ao conflito em Gaza constitui "uma oportunidade para a paz" e, portanto, incentivou as partes a explorá-la, embora tenha deixado claro que, aconteça o que acontecer, a chave está no cumprimento do direito internacional.

O presidente do governo, Pedro Sánchez, foi o primeiro a "dar as boas-vindas" à proposta "promovida pelos Estados Unidos", defendendo que "devemos pôr fim a tanto sofrimento" e, posteriormente, o Ministério das Relações Exteriores publicou um comunicado oficial no qual "dá as boas-vindas" ao plano de paz, embora em nenhum dos casos tenha feito uma avaliação de seu conteúdo.

Por sua vez, Sumar, o parceiro minoritário, deixou clara sua rejeição à proposta de Trump, considerando que ela não garante a autodeterminação do povo palestino e é uma "imposição" de Washington.

Trump apresentou um plano na segunda-feira que prevê um cessar-fogo e a libertação dos reféns israelenses dentro de 72 horas e inclui a formação de um órgão de governo interino chamado "Conselho da Paz" a ser presidido pelo próprio presidente dos EUA. Além disso, uma "Força Internacional de Estabilização" controlaria o enclave palestino e desarmaria o Hamas.

O Ministro das Relações Exteriores, da União Europeia e da Cooperação, José Manuel Albares, deixou claro que o governo não está abandonando seu compromisso com uma solução de dois Estados, com Israel e Palestina vivendo lado a lado em paz e segurança, e que sua principal prioridade continua sendo o respeito à lei humanitária internacional e às decisões do Tribunal Internacional de Justiça (ICJ).

"A Espanha sempre explorará qualquer oportunidade para uma paz genuína em Gaza", disse ele em um vídeo distribuído por seu ministério, em uma mensagem que foi ecoada pela porta-voz do ministro, Pilar Alegría, na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros.

"Qualquer coisa que sirva para evitar o deslocamento forçado da população, para acabar com a fome induzida e inaceitável, para conseguir a libertação de todos os reféns e para pôr fim a esse massacre de inocentes, é claro, é algo que devemos apoiar, como faz a Espanha", disse o ministro.

Albares, que esteve em contato na terça-feira com o primeiro-ministro palestino, Mohamad Mustafa, bem como com vários homólogos árabes, pediu que "todas as partes que podem pôr fim a esse massacre se envolvam e explorem todas as possibilidades dessa proposta de paz".

A POSIÇÃO DO GOVERNO PERMANECE INALTERADA

O ministro quis deixar claro que o plano apresentado por Trump, e endossado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, não muda a posição que o governo vem mantendo há meses: O fim da "fome induzida", a "entrada maciça de ajuda humanitária", "o fim do deslocamento forçado da população" em Gaza, a "libertação de todos os reféns" e o cumprimento das decisões da CIJ, que inclui "o fim imediato de todas as operações militares israelenses em Gaza" e o estabelecimento de um Estado palestino "realista e viável".

De qualquer forma, observou Albares, "aconteça o que acontecer com o futuro desse plano de paz, a Espanha sempre continuará exigindo o cumprimento do Direito Internacional, o cumprimento do Direito Internacional Humanitário e das sentenças da Corte Internacional de Justiça, que são obrigatórias para todos os Estados das Nações Unidas e também para Israel".

Os elementos desse plano de paz não são elementos políticos ou decisões políticas, mas o estrito cumprimento do Direito Internacional Humanitário e das decisões da Corte Internacional de Justiça.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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