Publicado 13/09/2026 00:35

O governo retira os 34 bloqueios do país e defende sua ação diante da crise de combustível

Coletiva de imprensa do Governo da Guatemala sobre as operações de segurança pública
PRESIDENCIA DE GUATEMALA

Pelo menos dois policiais ficaram feridos e 14 civis foram levados à justiça

MADRID, 13 set. (EUROPA PRESS) -

O governo da Guatemala garantiu neste sábado que as forças de segurança desobstruíram os 34 pontos que permaneciam bloqueados em diversas rodovias do país em protesto contra o aumento do preço dos combustíveis e, em alguns casos, para exigir a renúncia do presidente, Bernardo Arévalo, em cumprimento a uma resolução do Tribunal Constitucional (CC).

O ministro do Interior, Marco Antonio Villeda, explicou que as operações realizadas permitiram restabelecer o tráfego em 20 pontos do Distrito Central, quatro no sul, quatro no leste e seis no norte.

Entre os principais pontos intervenidos estão os quilômetros 7 e 13 da rodovia para o Atlântico e o quilômetro 124, em Río Hondo, Zacapa, onde o último bloqueio foi removido por volta das 23h30 (hora local) desta sexta-feira, após cerca de treze horas de interrupção.

“Este foi, de fato, o último bloqueio liberado, a última rota liberada, e isso ocorreu mais ou menos por volta das 23h30. No total, foram liberados 34 pontos em todo o país”, afirmou Villeda durante uma coletiva de imprensa marcada pela ausência de Arévalo.

O ministro do Interior defendeu que o Executivo agiu dentro do prazo estabelecido pela Corte Constitucional, embora tenha questionado o fato de o tribunal ter concedido apenas seis horas para cumprir a ordem. Segundo ele explicou, o Ministério do Interior recebeu a notificação por volta das 19h (hora local) da sexta-feira, e o prazo expirava às 2h da madrugada de sábado.

“Isso aconteceu porque, felizmente, não fomos pegos de surpresa”, afirmou ele, explicando que o governo já havia preparado, desde a manhã, um plano de ação em conjunto com o presidente e o ministro da Defesa, Henry Sáenz. Mesmo assim, Villeda considerou que o prazo concedido pelo Tribunal era “muito curto” para cumprir a decisão.

O ministro lembrou ainda que o descumprimento de uma ordem do Tribunal Constitucional pode resultar na destituição dos funcionários advertidos, embora tenha esclarecido que o tribunal não ordenou diretamente a afastamento deles nem do diretor da Polícia Nacional Civil (PNC), mas sim alertou sobre essa possibilidade em caso de desobediência.

DOIS AGENTES FERIDOS

A operação em questão contou com efetivos da PNC, bem como com o apoio do Exército, que — segundo o governo — agiram para garantir a livre circulação e o transporte de bens essenciais. A esse respeito, as autoridades destacaram que o diálogo foi priorizado e que o uso da força foi empregado de forma proporcional apenas quando necessário.

Durante as ações, cerca de 14 pessoas foram levadas à justiça e oito veículos foram apreendidos pelas autoridades por suposto uso nos bloqueios, conforme informou o jornal guatemalteco “Prensa Libre”.

Por sua vez, dois agentes da PNC ficaram feridos por arma de fogo nos quilômetros 168 e 169, no cruzamento em direção a San Andrés Villa Seca, Cuyotenango, Suchitepéquez, tendo sido transportados por via aérea para a Cidade da Guatemala a fim de receberem atendimento médico.

Diante dessa situação, o Executivo advertiu que manterá ativas as operações para impedir novos bloqueios de rodovias, embora tenha assegurado que não pretende limitar o direito de manifestação dos guatemaltecos. Caso ocorram novos bloqueios, esclareceu, a estratégia será manter o diálogo, restabelecer a circulação o mais rápido possível e empregar a força pública de forma proporcional, caso não haja outra alternativa.

A reabertura das vias também permitiu restabelecer o abastecimento de combustíveis. O Ministério da Energia e Minas informou que mais de 400 caminhões-tanque puderam circular para abastecer mais de 200 postos de gasolina, enquanto as autoridades confirmaram a chegada do navio “Silver Evalina”, com 5,5 milhões de galões de gasolina, além de outra embarcação que transportará outros 7,5 milhões.

ARÉVALO, AUSENTE

Paralelamente, a ausência de Arévalo voltou a marcar a coletiva do Executivo, realizada pelo segundo dia consecutivo sem a presença do presidente.

A secretária de Comunicação Social da Presidência, Karina García, defendeu que o chefe de Estado continua à frente da gestão e que cabem aos responsáveis de cada pastora ministerial explicar as questões técnicas de suas respectivas áreas.

“Este presidente está em tudo”, afirmou García, que, diante das perguntas sobre a ausência do presidente, acrescentou: “Não dissemos que o presidente está em casa. O que eu disse, na verdade, é que essa é a característica de onipresença do presidente. Ele está em todos os lugares”.

Arévalo, por sua vez, se pronunciou sobre a crise em outros eventos públicos. Durante a inauguração do XXI Congresso Industrial, ele questionou as informações que — em sua opinião — distorcem o impacto do aumento dos preços dos combustíveis e alertou sobre as tentativas de gerar instabilidade política instrumentalizando essa questão.

“Quando se disseminam visões distorcidas da realidade com o objetivo de semear dúvidas e confusão, não se está exercendo um direito legítimo à crítica, mas contribuindo para uma estratégia que busca enfraquecer a governabilidade do país”, declarou ele em declarações divulgadas pela imprensa guatemalteca.

Nesse sentido, o presidente atribuiu o aumento do preço dos combustíveis a fatores internacionais e pediu que se evitem mensagens que possam manipular a percepção da população.

O chefe do Executivo também pediu à população que mantenha a calma e verifique as informações que circulam sobre a situação, diante do risco de novos bloqueios e problemas de abastecimento.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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