Publicado 14/05/2026 04:43

O governo reconhece que há 600 lanchas de contrabando no Estreito e uma maior agressividade contra os agentes e o haxixe proveniente

Imagem de uma embarcação da Guarda Civil de Huelva. Em 8 de maio de 2026, em Huelva (Andaluzia, Espanha). A Guarda Civil informou que dois agentes da Guarda Civil faleceram no cumprimento do dever na manhã desta sexta-feira...
Clara Carrasco - Europa Press

Alerta para uma “maior capacidade ofensiva” dos “narcos” contra as Forças de Segurança, recorrendo até mesmo ao uso de armas de guerra

MADRID, 14 maio (EUROPA PRESS) -

O Governo reconheceu, por meio do Relatório do Departamento de Segurança Nacional (DSN), que há mais de 600 lanchas do tipo go-fast suspeitas de realizar operações relacionadas ao tráfico de estupefacientes, principalmente na área do Estreito de Gibraltar, bem como uma maior agressividade dos "narcos" em relação aos agentes das Forças de Segurança, chegando a usar armas de guerra.

“No que diz respeito ao tráfico de haxixe, em 2025 parece ter sido reativada a rota de Marrocos, principal produtor mundial, para a Espanha”, aponta o relatório do Departamento de Segurança Nacional da Presidência do Governo, ao qual a Europa Press teve acesso.

O relatório analisa 2025 e cita a morte de um agente da Gendarmerie de Portugal no rio Guadiana, quando sua embarcação oficial foi abalroada por uma lancha de narcotraficantes. Na semana passada, dois agentes da Guarda Civil faleceram enquanto perseguiam uma lancha de narcotraficantes a 80 milhas de Huelva.

“É importante destacar que as agressões e hostilidades contra membros das FCSE se mantiveram. Os narcotraficantes, por vezes, não hesitam em colidir com veículos terrestres e embarcações quando percebem risco de interceptação ou perda da droga, evidenciando uma maior agressividade em relação aos agentes”, aponta.

Embora o número de incidentes violentos registrados contra as Forças e Corpos de Segurança do Estado “não tenha sido especialmente elevado em comparação com anos anteriores”, a Segurança Nacional alerta que “está sendo detectada uma maior capacidade ofensiva”, citando o uso de armas de guerra por essas organizações criminosas.

VULNERABILIDADE CRESCENTE: DROGAS E IMIGRAÇÃO ILEGAL

"As zonas do Estreito de Gibraltar e do arco Canárias-Atlântico apresentam uma vulnerabilidade crescente para a Espanha", reconhece o Executivo. Nesse sentido, menciona que alguns grupos organizados poderiam estar utilizando as rotas e meios originalmente concebidos para o tráfico de drogas para realizar atividades ligadas à imigração ilegal, diversificando assim sua atividade criminosa.

Especificamente, refere que o COVAM (Centro de Operações e Vigilância de Ação Marítima, dependente da Marinha) informou sobre mais de 600 embarcações do tipo go-fast, suspeitas de realizar operações relacionadas ao tráfico de estupefacientes, principalmente na área do Estreito de Gibraltar.

“No que diz respeito ao tráfico de haxixe, após a grande queda nas apreensões registrada em 2023, que se manteve ao longo de 2024, em 2025 parece ter-se reativado a rota de Marrocos, principal produtor mundial, para a Espanha”, alerta.

O relatório, em outra seção, também destaca as “excelentes” relações econômicas com o país vizinho e que, no ano passado, a Espanha foi seu principal parceiro comercial.

GUADALQUIVIR E COLABORAÇÃO COM PORTUGAL

O DSN continua explicando que, embora o tráfico dessa substância seja canalizado principalmente por via marítima, uma vez introduzida, a quantidade de haxixe transportada escondida em caminhões é “significativa”, tendência já detectada em 2023 e que continua em aumento, persistindo rotas terrestres de Almería, Granada e Cádiz para a França e o resto da Europa.

Associado ao tráfico marítimo, destaca-se também o aumento “sensível” das apreensões de combustível no sul da Espanha, em particular nas províncias de Cádiz e Huelva, destinado a abastecer as lanchas de contrabando.

"A pressão exercida sobre o tráfico de drogas no Golfo de Cádiz e na foz do rio Guadalquivir fez com que as organizações dedicadas a essa atividade ilícita tenham deslocado sua zona de influência para a província de Huelva, o rio Guadiana e a região do Algarve, em Portugal", prossegue o documento.

Nesse sentido, ele ressalta que, conscientes da gravidade do problema, as autoridades e forças de segurança espanholas e portuguesas mantêm um esforço contínuo e coordenado para combater essa ameaça.

Assim, aponta que as zonas de armazenamento estão se expandindo cada vez mais para o oeste (costa de Huelva e Portugal) e para o leste (arco do Levante, desde as costas de Múrcia até as de Gerona e Ilhas Baleares), “detectando-se até mesmo a chegada de embarcações ao sul da França e à Itália”.

ROTA ATLÂNTICA EMERGENTE

Neste ponto, o DSN volta a citar Marrocos. “Perante o receio de perder as embarcações, com o consequente prejuízo econômico, as organizações criminosas operam a partir de Marrocos, evitando aproximar-se das costas espanholas para não serem interceptadas”, adverte o relatório, acrescentando que se recorre a outras embarcações pequenas semirrígidas, de pesca, veleiros ou de recreio.

“Na emergente ‘rota atlântica do haxixe’, a droga é carregada em frente às costas atlânticas marroquinas e transportada em embarcações para países africanos mais ao sul, como Senegal, Guiné-Bissau e Guiné-Conacri, onde é descarregada para posterior transporte por via terrestre através do Sahel em direção à Líbia, de onde pode ser enviada para a Europa ou seguir para países do Oriente Médio”, afirma.

Para maximizar os lucros e evitar que o dinheiro seja rastreado, as organizações criminosas estão fazendo “trocas” entre a cocaína e o haxixe, utilizando a mesma embarcação que importa a cocaína para a África e a Europa para transportar o haxixe para esses países.

A proximidade com Marrocos também é fundamental ao analisar a “reativação” de táticas como a modalidade aérea, utilizando “aeronaves de diferentes tipos, incluindo drones, que realizam voos clandestinos entre Marrocos e a Espanha para transportar remessas de haxixe”, conforme comprovado em operações policiais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado