Nacho Frade - Europa Press
MADRID 26 maio (EUROPA PRESS) -
O governo continuará liderando a defesa pública do ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero por várias semanas, uma vez que o juiz adiou sua audiência para os dias 17 e 18 de junho e se mostra disposto a suportar a crescente pressão devido às evidências contra ele.
Horas depois de ter sido indiciado por crimes de tráfico de influências e organização criminosa, o ex-líder socialista publicou um breve vídeo negando os fatos, no qual afirmava que daria explicações à mídia nos próximos dias.
No entanto, uma semana depois, no Executivo, considera-se certo que ele não voltará a fazer declarações públicas até comparecer perante o tribunal, uma audiência que, em princípio, estava prevista para a próxima terça-feira, 2 de junho, mas que Zapatero pediu para adiar a fim de poder analisar o extenso inquérito do caso.
As evidências contra ele têm aumentado nos últimos dias, com a publicação do inquérito que detalha as atividades de seu sócio, Julio Martínez Martínez, e revela, por exemplo, que a polícia encontrou no cofre do escritório do ex-presidente dezenas de joias de valor, por enquanto, desconhecido.
ENTENDEM QUE ELE PEÇA MAIS TEMPO
No governo, aceitam com resignação este adiamento, que os obriga a continuar assumindo sua defesa por mais tempo — enquanto a pressão cresce e os parceiros parlamentares começam a pedir eleições antecipadas —, mas mostram-se compreensivos com Zapatero e entendem que ele peça tempo para se defender com as maiores garantias possíveis.
Nos últimos dias, vários membros do governo aguardavam ansiosamente o depoimento no tribunal e afirmavam que estavam “ansiosos” para que ele comparecesse, pois confiam que ele poderá se defender e esclarecer as dúvidas sobre suas atividades.
Mas não lhes resta outra alternativa senão se adaptar aos “prazos judiciais” e, segundo informam fontes governamentais, continuarão mantendo a “prudência” e defendendo a inocência de Zapatero porque, insistem, ainda não há nada que prove sua culpa.
IGUAL A UMA SEMANA ATRÁS
Eles consideram que estão na mesma situação de uma semana atrás, apesar de cada vez mais detalhes da investigação virem à tona, das repetidas menções à participação de Zapatero no resgate da companhia aérea Plus Ultra e do juiz José Luis Calama suspeitar que ele tenha participado de operações de venda de petróleo e ouro, entre outras acusações.
De qualquer forma, no Executivo mostram-se decididos a aguentar essa “espera” de mais de vinte dias até a nova intimação e garantem que são um governo que sabe “resistir”.
O presidente Pedro Sánchez dará uma entrevista coletiva nesta quarta-feira em Roma, após se reunir em audiência privada com o Papa Leão XIV, e previsivelmente voltará a apoiar Zapatero, assim como fez na última quarta-feira no Congresso, onde demonstrou “todo o seu apoio”.
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