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MADRID 21 jun. (EUROPA PRESS) -
A ministra de Governo do Panamá, Dinoska Montalvo, pediu à Autoridade Nacional de Serviços Públicos (ASEP) que suspenda os serviços de Internet e telefonia em toda a província de Bocas del Toro, onde as garantias constitucionais e o "estado de emergência" foram suspensos por cinco dias devido a protestos de trabalhadores e indígenas.
"Com base nas disposições do Decreto do Gabinete nº 27 de 2025 acima mencionado e em resposta à solicitação na Nota nº MG-OAL-01477-2025, é apropriado proceder à interrupção imediata do fornecimento do serviço de Internet para uso público (nº 211) na província de Bocas del Toro, durante o estado de emergência decretado", explica a ASEP em uma declaração relatada pelo jornal 'La Estrella de Panamá'.
O estado de emergência implica a suspensão dos artigos 21, 22, 23, 26, 27, 29, 37 e 38 da Constituição, relacionados à liberdade de trânsito, expressão, reunião e proteção contra detenção arbitrária. Além disso, foi imposto um toque de recolher no distrito de Changuinola após o saque e a destruição de empresas e entidades estatais.
Enquanto isso, a Associação Panamenha de Executivos de Negócios (APEDE) pediu o "restabelecimento da ordem" e da "paz social" e condenou os "atos de vandalismo e destruição".
"É urgente restabelecer a ordem com firmeza, mas com absoluto respeito à lei e aos direitos humanos", disse a presidente da APEDE, Giulia De Sanctis, em um comunicado emitido pela organização. De Sanctis defendeu o direito dos cidadãos de protestar pacificamente, mas também rejeitou "qualquer forma de violência ou coerção".
Os protestos começaram em abril e o governo decretou estado de emergência em 27 de maio. A polícia panamenha também implementou a Operação Ômega, com o envio de 1.500 soldados, para lidar com essa onda de protestos, cujo objetivo é "garantir a livre circulação e a segurança dos cidadãos", especialmente em vista do bloqueio de estradas com árvores pelos manifestantes.
Nesta semana, o governo aprovou uma lei para melhorar as condições dos trabalhadores da indústria da banana, graças à qual conseguiu pôr fim a alguns bloqueios, mas outros setores, como educadores e grupos indígenas, lideraram esses novos protestos e voltaram a tomar as ruas da região.
Na segunda-feira, os professores estão comemorando dois meses de mobilizações e uma greve que começou em 23 de abril em rejeição à Lei 462, que reforma o Fundo de Seguridade Social (CSS). Em retaliação, o governo está retendo os salários dos professores que não retomaram as aulas, e o presidente do país, José Raúl Mulino, enfatizou que os professores têm apenas duas opções: "continuar sem receber ou continuar gastando as solas dos sapatos".
Após uma segunda reunião com representantes da Igreja e do setor empresarial, os professores reiteraram que não cederão e que sua luta continuará até que a lei seja revogada. Eles também pediram novamente a criação de uma mesa de diálogo aberta e vinculante.
"A posição polarizada do governo de não querer revogar ou revisar a Lei 462, e de fazer com que a população a veja como uma questão inacessível, levará o país a uma crise profunda que não queremos. Acreditamos firmemente que o diálogo é o caminho a seguir", argumentaram. A greve afeta atualmente cerca de 30% das escolas públicas do país.
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