Sebastián Hipperdinger - Europa Press - Arquivo
MADRID 23 abr. (EUROPA PRESS) -
O governo liderado pelo presidente de extrema direita Javier Milei proibiu nesta quinta-feira, “a título preventivo”, o acesso de todos os jornalistas credenciados à Casa Rosada, após uma denúncia contra dois funcionários do canal Todo Noticias por suposto espionagem ilegal.
“Esclarecimento. A decisão de retirar as impressões digitais dos jornalistas credenciados na Casa Rosada foi tomada de forma preventiva diante da denúncia da Casa Militar por espionagem ilegal. O único objetivo é garantir a segurança nacional”, afirmou nas redes sociais o secretário de Comunicação e Imprensa, Javier Lanari.
O Sindicato da Imprensa de Buenos Aires condenou a medida em um comunicado divulgado nas redes sociais e denunciou a “perseguição” contra a imprensa, com a invenção de processos judiciais, bem como as agressões físicas contra jornalistas e fotógrafos durante os protestos antigovernamentais.
“Repudiamos o ato de censura que se soma à escalada de abusos de poder por parte de Javier Milei, que não apenas insulta, difama e hostiliza jornalistas e trabalhadores da imprensa que realizam seu trabalho, mas também pressiona por demissões, como é de conhecimento público”, precisou.
Nesse sentido, afirmou que o objetivo do Executivo é “gerar um clima hostil em relação à imprensa para que ela deixe de relatar o que está acontecendo”. “Mais uma vez, alertamos que a única política de comunicação do Governo é desacreditar o jornalismo com o objetivo final de enfraquecer a liberdade de expressão, em meio aos casos de corrupção e ao agravamento da crise econômica”, argumentou.
Isso ocorre depois que o governo argentino, por meio da Casa Militar — órgão encarregado da custódia da Casa Rosada e da residência oficial de Olivo —, denunciou os jornalistas Luciana Geuna e Pablo Salerno após gravarem áreas comuns da Casa Rosada.
Segundo consta na denúncia, divulgada pelo jornal “La Nación”, os jornalistas exibiram aos espectadores “sistemas de vigilância, equipamentos de comunicação, dispositivos de controle de acesso e outros componentes do sistema de segurança” que deveriam “ser mantidos em sigilo absoluto”.
“Sob meros pretextos de interesse público, os jornalistas denunciados se gabaram de ter burlado a segurança presidencial, o que expôs os funcionários a riscos injustificados e, provavelmente, criou as condições para revelar segredos de Estado relacionados à rotina do senhor presidente e ao funcionamento do poder executivo”, reza a denúncia divulgada pelo referido jornal.
O Executivo de Milei anunciou em julho de 2024 que a agência de notícias estatal Télam — fundada por Juan Domingo Perón em 1945 — passaria a ser uma agência de publicidade após seu fechamento meses antes por supostas perdas milionárias. O porta-voz presidencial, Manuel Adorni, negou na época que a medida tivesse a ver com ataques ao pluralismo da informação ou à liberdade de imprensa.
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