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MADRID 31 maio (EUROPA PRESS) -
O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, rejeitou categoricamente a ideia de que o gabinete ultraconservador liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi tenha iniciado um processo de “remilitarização” e revogado décadas de pacifismo, como vem denunciando a China há meses, no que descreveu como um exercício de “hipocrisia” por parte de Pequim.
Em sua participação neste fim de semana em Cingapura durante os diálogos de Shangri-La, um dos principais fóruns mundiais na área de defesa, Koizumi fez uma alusão velada à China ao criticar “um país que possui um enorme arsenal de armas nucleares e, no entanto, acusa o Japão de praticar um ‘novo militarismo’; tudo muito estranho”.
Essa ideia foi levantada pelos presidentes da China e da Rússia, Xi Jinping e Vladimir Putin, durante sua última cúpula bilateral há algumas semanas, quando denunciaram o Japão pelo que consideram seu “atual rumo em direção a uma remilitarização acelerada”, após apontar Tóquio como “uma séria ameaça” à paz e à estabilidade regionais.
Após a rejeição inicial de Takaichi, agora foi seu ministro da Defesa (e filho do ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi) quem insistiu que “a política de defesa e o fortalecimento militar do Japão não se baseiam na ideia de identificar nenhum país ou região em particular como uma ameaça, nem de entrar em confronto militar com eles”.
O ministro, no entanto, mencionou explicitamente a China ao afirmar que “ela continua aumentando seus gastos com defesa a todo vapor, bem como suas capacidades militares, em uma ampla gama de áreas, sem transparência suficiente”.
“A abordagem externa e as atividades militares da China são motivo de grave preocupação para o Japão e a comunidade internacional. O Japão considera essencial manter um diálogo e uma comunicação francos e constantes, sem eludir os problemas concretos e difíceis, justamente porque existem desafios, e sua porta está sempre aberta", acrescentou.
A questão da militarização do Japão tem sido motivo de atrito entre Tóquio e Pequim, especialmente depois que o governo de Takaichi deu recentemente o passo de autorizar a revisão dos limites estabelecidos pela legislação para as exportações de materiais destinados à defesa, o que abre as portas para a possível venda de armas a terceiros pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.
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