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Segurança Nacional alerta para a possível expansão da atividade da Al-Qaeda e do Estado Islâmico para o Magrebe
MADRID, 15 maio (EUROPA PRESS) -
O Sahel é “fundamental” para a segurança da Espanha e, por extensão, da Europa, segundo alerta o último Relatório de Segurança Nacional 2025 do Governo, no qual se reconhece o risco que a incipiente atividade jihadista nesta região representa tanto do ponto de vista da exportação da ameaça terrorista quanto no que se refere à imigração irregular.
“A estabilidade nos países da faixa do Sahel é fundamental para a segurança da Espanha e da Europa”, destaca o Departamento de Segurança Nacional (DSN), subordinado à Presidência do Governo, em seu último relatório, no qual destaca que Mali, Níger e Burkina Faso “continuam afetados por um elevado grau de instabilidade política, de segurança e econômica, o que constitui um foco de ameaça significativo para a vizinhança sul da OTAN, da UE e da Espanha”.
Nesse sentido, o relatório chama a atenção para o poderio dos grupos que operam na zona, em particular as filiais da Al Qaeda e do Estado Islâmico, a probabilidade de que, além de continuarem seu avanço em direção ao Golfo da Guiné, também queiram voltar a colocar o foco no Magrebe, e o possível aumento da imigração irregular proveniente dessa região, com o consequente risco de que o fenômeno possa ser aproveitado para a infiltração de ex-combatentes.
AMEAÇA TERRORISTA
Os países do Sahel central — Mali, Níger e Burkina Faso — tornaram-se o “centro de gravidade do terrorismo mundial” nos últimos anos e “as operações cada vez mais complexas e coordenadas e o uso de armamento avançado evidenciam a melhoria das capacidades dos grupos terroristas”, destaca o documento, consultado pela Europa Press.
O Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), filial da Al Qaeda, constitui a “maior ameaça à segurança” neste momento. No Mali, seu principal reduto, o grupo está implementando uma “estratégia estruturada em fases” que passa pela “expulsão de atores estrangeiros; seguida pelo controle de zonas rurais; uma terceira fase se concentraria em provocar o isolamento das grandes cidades; e, finalmente, culminaria com a tentativa de, ou bem controlar o governo atual, ou bem instaurar outro alinhado com seus interesses”.
Como o relatório abrange os acontecimentos de 2025, não é mencionado o ataque contra várias cidades do país, incluindo Bamako, realizado no último dia 25 de abril pelo JNIM em conjunto com os rebeldes tuaregues da Frente de Libertação do Azawad (FLA), que custou a vida do ministro da Defesa, Sadio Camara, uma figura-chave na junta militar que governa o país.
No entanto, o relatório reconhece que o JNIM, uma coalizão de vários grupos comandada por Iyad ag Ghali, experimentou “uma expansão sem precedentes”, estendendo sua influência para o oeste e o sul do Mali, “chegando a cortar intermitentemente as principais vias de abastecimento”, em referência ao bloqueio de combustível sobre Bamako imposto pelo grupo terrorista na segunda metade do ano.
No que diz respeito a Burkina Faso, destaca que a junta militar que governa o país “mal controla metade do território”, enquanto no vizinho Níger, também governado pelos militares desde julho de 2023, “o número de ataques aumentou e o número de vítimas de ataques terroristas cresceu notavelmente”.
RISCO PARA O MAGREBE
Nesse contexto, a Segurança Nacional alerta que os governos locais “podem ter dificuldades para manter seu controle territorial e podem facilitar a consolidação desses grupos em direção ao Golfo da Guiné e sua expansão para o Norte da África”.
Em relação a esta última ameaça, o relatório lembra que “a eventual projeção para o Magrebe faz parte das diretrizes emitidas pela liderança do Daesh (Estado Islâmico) à sua filial no Sahel, com o objetivo de recuperar capacidades e redes na Argélia, na Tunísia, na Líbia e em Marrocos”, onde a atividade desse grupo terrorista tem estado em declínio nos últimos anos.
“Essa orientação se justifica pela origem norte-africana de boa parte do jihadismo que opera atualmente no Sahel e pelo interesse declarado em reativar estruturas anteriores nessa região”, acrescenta o DSN.
AMEAÇA MIGRATÓRIA
Por outro lado, a Segurança Nacional reconhece que “a instabilidade política e a proliferação de grupos jihadistas” nessa região africana “é cada vez mais preocupante do ponto de vista da gestão das fronteiras e do controle dos fluxos migratórios”, uma vez que se somam a fatores socioeconômicos que fomentam “a saída constante de migrantes do continente para a Europa”.
“A dinâmica migratória irregular em direção à Espanha está intrinsecamente ligada à instabilidade na faixa do Sahel e no Golfo da Guiné, sendo este o principal fator que determina sua evolução”, resume o relatório, consultado pela Europa Press.
Nesse sentido, destaca que, com exceção dos imigrantes argelinos e marroquinos, “a maioria dos fluxos passa pelo Mali e pelo Níger em seus trajetos rumo aos principais países de partida (Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Marrocos ou Argélia)” com destino à Espanha. Além disso, acrescenta, “até mesmo migrantes provenientes da Ásia ou da África Oriental costumam utilizar rotas mistas que incluem um trajeto terrestre pelo Mali e pelo Níger”.
O documento, que reflete a queda nas chegadas de imigrantes em 2025, confirma a tendência detectada desde 2023 de um aumento dos imigrantes provenientes dos países do Sahel que chegam às costas espanholas.
No caso específico das Ilhas Baleares, onde em 2025 houve um aumento de 24,5% nas chegadas e foram registradas 20% do total, ocorreu uma mudança no perfil, “com cada vez menos pessoas provenientes de países do Magrebe, em favor de origens da África Subsaariana e do Sahel, com maior presença de mulheres e famílias completas”. Além disso, destaca-se um aumento “notável” no número de somalis.
Diante disso, a Segurança Nacional reconhece que “existe a preocupação com a possível infiltração de ex-combatentes dentro desses fluxos massivos de refugiados com destino às costas espanholas”.
No entanto, admite que “a filiação temporária a grupos jihadistas no Sahel — aspecto detectado de forma pontual até o momento — costuma obedecer à necessidade de subsistência ou a critérios de força, mais do que a um componente ideológico marcante”, em referência ao fato de que aqueles que se juntam à ‘jihad’ o fazem mais em busca de um meio de vida e não por convicção religiosa.
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