Publicado 07/01/2026 05:52

O governo insiste que "os recursos naturais da Venezuela pertencem ao povo venezuelano" e se oferece para mediar.

O Ministro das Relações Exteriores, Cooperação e União Europeia, José Manuel Albares, fala durante uma sessão de controle do governo no Congresso dos Deputados, em 10 de dezembro de 2025, em Madri (Espanha). O governo enfrenta uma semana mais
Alejandro Martínez Vélez - Europa Press

Albares pede uma "aliança global para o multilateralismo" e defende a necessidade de "chamar as coisas pelo nome".

MADRID, 7 jan. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, insistiu na quarta-feira que os recursos naturais fazem parte da soberania da Venezuela depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro seu interesse no petróleo venezuelano, ao mesmo tempo em que reiterou a oferta de "bons ofícios" da Espanha para resolver a crise venezuelana.

"Os recursos naturais da Venezuela pertencem ao povo venezuelano", afirmou categoricamente o ministro em uma entrevista à 'RNE', relatada pela Europa Press, depois de defender que "a exploração dos recursos naturais é um dos atributos mais importantes da soberania de um Estado".

"Isso é o que diz o direito internacional e, claro, é o que vamos defender", acrescentou, horas depois de Trump anunciar que a Venezuela entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo bruto aos Estados Unidos após a operação militar de sábado, na qual o presidente Nicolás Maduro foi capturado.

A esse respeito, Albares se recusou a comentar se o líder venezuelano está detido ou sequestrado. "Não vou chamá-lo pelo nome", disse ele, argumentando que, como chefe da diplomacia, não deveria fazê-lo.

"O que posso dizer é que uma ação ilegal ocorreu no sábado em Caracas, do ponto de vista do direito internacional", ressaltou, em consonância com o que o presidente do governo, Pedro Sánchez, também disse.

OS BONS OFÍCIOS DA ESPANHA

A esse respeito, e como o chefe do governo espanhol também fez no dia anterior, ele reiterou a disposição da Espanha de mediar. "O que estamos propondo, e o que propusemos imediatamente no sábado, são nossos bons ofícios, e isso deve ser aceito pelas diferentes partes envolvidas", disse ele.

"A disposição da Espanha existe e, se as partes considerarem que isso pode ser útil, nós estaremos lá, o que nunca faremos, é claro, é interferir", ressaltou Albares, indicando que a oferta de mediação é tanto entre o novo governo liderado por Delcy Rodríguez e a oposição venezuelana quanto "entre diferentes países da comunidade internacional".

Ele lembrou que o governo vem conversando com o regime de Maduro e com a oposição há algum tempo, e que ele mesmo conversou no sábado com Edmundo González, o candidato da oposição nas eleições presidenciais de 2024, que a oposição afirma ter sido o vencedor das eleições, embora não tenha conversado nos últimos dias com María Corina Machado, a principal líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

"Se os bons ofícios da Espanha servirem para ajudar a avançar a solução pacífica e democrática que queremos através do diálogo, da negociação, entre os venezuelanos, estaremos dispostos a fazê-lo", enfatizou o chefe da diplomacia, argumentando que na América Latina a Espanha sempre procura "construir pontes" e não "atiçar incêndios".

Por outro lado, Albares insistiu que o que aconteceu na Venezuela "é um precedente muito perigoso para a ordem mundial baseada em regras" com a qual a Espanha está comprometida, e que é necessário tomar uma posição ao lado do direito internacional.

ALIANÇA GLOBAL PARA O MULTILATERALISMO

Por esse motivo, ele disse que "é hora de lançarmos uma aliança global para o direito internacional e o multilateralismo". "Porque o multilateralismo não é simplesmente uma ideia agradável de relações internacionais, ele é a própria base das relações pacíficas e estáveis entre os Estados" e é, em escala internacional, o que a democracia é em escala nacional, "uma forma pacífica e virtuosa de organizar a coexistência".

"Se permitirmos que o direito internacional e a ordem internacional baseada em regras se desintegrem, as forças políticas que querem acabar com a democracia e que, na Europa, querem acabar com a União Europeia, que é a expressão máxima da democracia, também triunfarão", alertou.

Nessas circunstâncias, Albares defendeu a necessidade de "chamar as coisas pelo nome", como o governo está fazendo. "Uma agressão é uma agressão (...) Uma ação militar unilateral é uma ação militar unilateral. Uma violação do direito internacional é uma violação do direito internacional, seja quem for que a cometa e onde quer que ela ocorra", observou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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