Albares argumenta que não se pode dar a Israel o "direito de vetar" a existência de um Estado palestino
MADRID, 28 jul. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, anunciou que a Espanha enviará 12 mil quilos de alimentos a Gaza para ajudar a aliviar a "fome induzida", que serão acrescentados aos caminhões com ajuda humanitária espanhola que aguardam para cruzar a fronteira de Israel.
Falando à mídia em sua chegada a Nova York, onde defenderá a solução de dois Estados para Israel e Palestina na sede da ONU na segunda-feira, o chefe da diplomacia espanhola anunciou que o equivalente a 5.500 rações de alimentos será enviado a Gaza por meio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECID).
Albares denunciou a "fome induzida em Gaza" que está ceifando "todos os dias" a vida de seres humanos por não terem acesso "aos alimentos que se acumulam nas fronteiras de Gaza". "100.000 crianças, 40.000 delas bebês, correm o risco de morrer nos próximos dias.
Ele enfatizou a importância desse carregamento de alimentos, que chegará a partir de 1º de agosto, esperando para entrar na Faixa de Gaza, em "um momento muito difícil para o povo palestino". Em sua opinião, "chegou a hora" de agir e não se pode "esperar até amanhã", e isso deve ser feito "por justiça para o povo palestino" e "para garantir a paz e a segurança para todos no Oriente Médio", incluindo, "é claro, Israel".
Em uma entrevista ao programa 'Las mañanas' da RNE, que foi captada pela Europa Press, Albares se referiu à Conferência Internacional de Alto Nível que será realizada nesta segunda-feira na sede da ONU para a Solução Pacífica da Questão Palestina e enfatizou a necessidade de uma solução de dois Estados.
"Há um Estado que já existe, que é Israel, e defendemos sua existência, mas falta o outro, o Estado da Palestina, que deve ser estabelecido", disse ele, insistindo que a "terrível fome induzida" não deveria acontecer e que, portanto, essa conferência "é mais importante do que nunca para estabelecer" esse Estado palestino.
Perguntado se essa afirmação não tem pouco valor, já que não se espera que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tome nenhuma medida para reconhecer a Palestina, o ministro das Relações Exteriores admitiu que "é claro" que não há nenhum sinal de que isso vá acontecer, mas enfatizou a importância dessa conferência para que a comunidade internacional reconheça os dois estados.
"Não podemos dar ao governo israelense uma espécie de direito de veto sobre a existência ou não do Estado da Palestina, sobre se as crianças e os bebês de Gaza podem ou não comer, sobre se o povo palestino tem ou não o direito à paz, sobre se os assentamentos ilegais continuarão ou não a se expandir na Cisjordânia. Não pode estar nas mãos do governo israelense decidir coisas como a vida ou a morte dos palestinos", disse ele.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático