Publicado 23/07/2026 05:24

O governo, diante da primeira entrevista de Zapatero: “Que ele diga a verdade em todas as perguntas que lhe forem feitas”

A terceira vice-presidente e ministra da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, Sara Aagesen, durante a apresentação de “Espanha empreende: inovação para a resiliência climática”, no Espacio The Sixty, em 22 de julho de 2026, em Madri (Espanha).
Eduardo Parra - Europa Press

MADRID 23 jul. (EUROPA PRESS) -

A terceira vice-presidente e ministra da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, Sara Aagesen, afirmou que “espera” que o ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, indiciado na investigação sobre o resgate da companhia aérea Plus Ultra, “diga a verdade” em sua primeira entrevista na TV e responda “o que está acontecendo” a “todas as perguntas que lhe forem feitas”.

Em entrevista à ‘Cadena Ser’, divulgada pela Europa Press, Aagesen reafirmou a posição do governo, que defende a presunção de inocência do ex-líder socialista, ressaltando ainda que a investigação da Audiencia Nacional não “interrompe” a atividade política do Executivo nem “perturba” o trabalho diário dos ministros, apesar do “ruído constante”.

Zapatero será entrevistado nesta quinta-feira no programa “Mañaneros 360” da TVE. Trata-se da primeira entrevista concedida pelo ex-presidente socialista após sua indiciamento pelo resgate da companhia aérea Plus Ultra e seu posterior depoimento perante o juiz da Audiencia Nacional, José Luis Calama.

O magistrado decidiu interrogar Zapatero como suposto líder de uma “estrutura estável e hierarquizada de tráfico de influências” com o objetivo de “obter benefícios econômicos”.

Em seu depoimento, o ex-presidente insistiu que não interveio para que o governo de Pedro Sánchez concedesse o resgate de 53 milhões de euros à companhia aérea. “Não só não exerci influência nem me interessei pelo assunto, como também não conversei com nenhuma autoridade política, nenhum funcionário público nem nenhum servidor público sobre o resgate da Plus Ultra”, afirmou.

RESGATE DA PLUS ULTRA

Questionada sobre o resgate da Plus Ultra e a suposta influência que Zapatero exerceu para que ele fosse concedido, a terceira vice-presidente explicou que o Conselho Administrativo, onde esse tipo de decisão é acordado, recebe “informações sobre todos e cada um dos critérios que precisavam ser cumpridos”, com base no que foi aprovado pela Comissão Europeia, durante o contexto da pandemia, que era “extraordinariamente complicado para inúmeras empresas, especialmente do setor aéreo e turístico”.

Dito isso, Aagesen destacou que, nessa primeira reunião informativa para tratar dos resgates a empresas, foram compiladas as informações provenientes da SEP e também dos relatórios de consultores externos, nos quais constavam dados “do ponto de vista econômico e financeiro”. “A decisão foi tomada, insisto, com base no cumprimento de todos e cada um dos critérios estabelecidos”, reiterou.

Assim, ela afirmou não se lembrar do número de reuniões realizadas para discutir o resgate da Plus Ultra, cujas decisões eram encaminhadas ao Conselho de Ministros. A esse respeito, e questionada sobre quem avisou Zapatero de que essa companhia aérea seria resgatada, Aagesen indicou que tomou conhecimento dessa informação pela mídia.

“Isso não deveria ter acontecido, nem jamais deveria ter acontecido. A informação deveria ter ficado restrita não apenas ao Conselho Administrativo, mas também às equipes da SEPI, sem qualquer tipo de vazamento. Isso nunca deveria ter acontecido, mas aconteceu, de acordo com as informações que pudemos apurar”, ressaltou.

A esse respeito, ela insistiu que “todos os relatórios atestavam o cumprimento dos critérios” da Plus Ultra e “eram favoráveis” ao resgate de 53 milhões de euros.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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