Europa Press/Contacto/Rosana Alvarez Mullner
MADRID 30 ago. (EUROPA PRESS) -
A secretária-geral da Presidência da Argentina, Karina Milei, foi a protagonista de um novo vazamento de áudio - após a publicação de várias gravações que atestam um esquema de corrupção dentro do governo argentino - e o Executivo argentino descreveu essa difusão como um "escândalo" às vésperas das eleições na província de Buenos Aires.
Dois novos áudios foram publicados pelo canal de streaming Carnaval - o mesmo canal que divulgou o conjunto anterior de áudios - atribuídos à presidente do La Libertad Avanza (LLA) e irmã do presidente argentino, Javier Milei, que fariam parte de uma gravação de 50 minutos na qual - até onde se sabe - a política só fala sobre questões menores de seu partido e outros assuntos não relacionados à suposta rede de suborno do diretor da Agência Nacional de Deficiência, Diego Spagnuolo.
Apesar da natureza inconsequente das declarações de Karina Milei, o governo argentino expressou sua preocupação com a existência de gravações de funcionários de alto escalão do governo. "Seria a primeira vez na história da Argentina que um funcionário da Casa Rosada seria gravado", disse o porta-voz da presidência, Manuel Adorni.
Embora Adorni não tenha confirmado a veracidade dos áudios, ele garantiu que se trata de uma "operação orquestrada", apenas oito dias antes das eleições na província de Buenos Aires, "com o objetivo óbvio de desestabilizar o governo e influenciar maliciosamente o processo eleitoral".
Karina Milei foi forçada nesta sexta-feira a interromper uma atividade planejada para apoiar o candidato do seu partido a governador de Corrientes, Claudio Lisandro Almirón, na qual ela também estava acompanhada pelo presidente do Congresso, Martín Menem.
Há vários dias, o canal de streaming Carnaval transmitiu áudios nos quais Diego Spagnuolo admitiu a existência de um sistema de "arrecadação ilegal" na Agência Nacional de Deficiência que envolveria o chefe de Estado e sua irmã, bem como o assessor de Karina, Eduardo 'Lule' Menem, e o proprietário da empresa de comércio de medicamentos Suizo Argentina, Eduardo Kovalivker.
O advogado Gregorio Dalbón, que representou a ex-presidente Cristina Fernández em casos anteriores, apresentou uma denúncia com base nesses vazamentos, que detalham uma rede "de coleta e pagamento de subornos relacionados à compra e fornecimento de medicamentos, com envolvimento direto de fundos públicos".
"Karina recebe três por cento e um por cento vai para a operação", acrescentou Spagnuolo, enquanto em outra parte da gravação ele afirmou que foi ele quem falou com o presidente. "Eu tenho todos os WhatsApp da Karina. Ele não está envolvido, mas é todo o seu pessoal. Eles vão pedir guita (dinheiro) aos credores", acrescentou.
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