Alejandro Martínez Vélez - Europa Press
A medida obrigará a solicitar a aprovação de um novo representante quando se desejar recuperar o nível máximo de relações MADRID 11 mar. (EUROPA PRESS) -
O Governo procedeu à demissão da embaixadora em Israel, Ana Sálomon, chamada a consultas em setembro passado após o último conflito com o Executivo de Benjamin Netanyahu, o que o obrigará a nomear um novo chefe de missão quando quiser recuperar a representação ao mais alto nível neste país.
O BOE publica nesta quarta-feira a demissão de Sálomon “por proposta do ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, e após deliberação do Conselho de Ministros em sua reunião de 10 de março de 2026”. Com a demissão, assinada como é obrigatório pelo Rei Felipe VI, agradecem-se “os serviços prestados” à embaixadora. Sálomon, no cargo desde julho de 2021, foi chamada a consultas pelo Governo no passado dia 9 de setembro em resposta às “acusações caluniosas contra Espanha e às “medidas inaceitáveis” contra as ministras Yolanda Díaz e Sira Rego ditadas pelo Executivo de Netanyahu em resposta ao pacote de medidas para travar o “genocídio” em Gaza anunciado pelo presidente do Governo, Pedro Sánchez.
Apesar de Israel ter chamado para consultas sua então embaixadora em Madri, Rodica Radian-Gordon, em maio de 2024, após o reconhecimento do Estado palestino pela Espanha, o governo havia optado por manter a representação diplomática em Israel no mais alto nível. Sálomon havia sido convocada pelo Ministério das Relações Exteriores israelense em várias ocasiões em protesto contra determinadas posições ou declarações de altos cargos espanhóis, incluindo Sánchez. Por sua vez, Israel continua sem ter embaixador em Madri, contando como máxima representante com uma encarregada de negócios, Dana Erlich. Quando Radian-Gordon deixou o cargo, já havia sido prevista uma substituição, uma vez que ela se aposentaria em julho de 2024, mas o diplomata designado renunciou ao cargo para ir para outra embaixada, sem que Netanyahu tivesse nomeado um novo embaixador.
Por sua vez, com a demissão de Sálomon, o governo será agora forçado a nomear um novo diplomata para o cargo, que deverá receber a aprovação do Executivo israelense, no momento em que decidir recuperar o nível máximo de representação no Estado hebreu, sem que, por enquanto, esteja claro se isso ocorrerá em breve, tendo em conta que as críticas a Israel se mantêm, agora por seu ataque ao Irã e sua nova ofensiva no Líbano. DEMISSÃO DO EMBAIXADOR NA NICARÁGUA A demissão da embaixadora em Israel se soma à do embaixador na Nicarágua, Sergio Farré Salvá, publicada no BOE (Diário Oficial do Estado) em 3 de março, expulso pelo regime de Daniel Ortega no final de janeiro.
Sua saída do país centro-americano ocorreu poucas semanas depois de ter chegado a Manágua para assumir seu cargo, sem que em nenhum momento fossem explicados os motivos de sua expulsão, à qual o governo respondeu "em reciprocidade" ordenando a saída de Espanha do embaixador nicaraguense, Mauricio Gelli.
O embaixador espanhol havia sido nomeado pelo Conselho de Ministros em 2 de dezembro e apresentado cópias de estilo — passo prévio à apresentação das cartas credenciais para poder exercer como representante da Espanha — em 2 de janeiro ao Ministério das Relações Exteriores da Nicarágua.
Agora, como no caso de Sálomon, o governo deverá nomear um novo embaixador e solicitar a aprovação do regime de Ortega. O Ministério das Relações Exteriores não quis esclarecer se esse passo já foi dado e se está-se aguardando a autorização de Manágua para enviar um novo embaixador e, assim, recuperar o nível máximo de relações. Fontes do departamento dirigido por Albares limitaram-se a indicar à Europa Press que “o povo nicaraguense é irmão e vamos continuar trabalhando para manter as melhores relações”.
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