Pool Moncloa/Fernando Calvo - Arquivo
MADRID, 7 jul. (EUROPA PRESS) -
O governo de Pedro Sánchez destaca o investimento realizado em segurança e defesa nos últimos meses — que já atinge 2% do PIB e cumpre as metas de capacidade estabelecidas pela OTAN— diante da cúpula da Aliança que começa nesta terça-feira em Ancara (Turquia) e considera que as últimas declarações do secretário-geral Mark Rutte, que colocam em dúvida o caminho traçado pela Espanha, visam apaziguar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em Moncloa, afirmam que a Espanha chega a Ancara com o dever cumprido, após ter atingido as metas acordadas com os aliados na cúpula do ano passado em Haia (Países Baixos); na qual Sánchez se recusou a gastar 5% do PIB porque, em sua opinião, com 2% poderia cumprir as exigências da OTAN.
Nesse sentido, destacam que, no final de junho, o comitê de política e planos de defesa da Aliança concluiu que a Espanha atingiu suas metas de capacidade para 2025 e o fez, além disso, com um grau de cumprimento superior à média europeia e ao de potências como o Canadá.
A Espanha, ressaltam na Moncloa, é o sétimo país que mais cumpriu entre os 32 membros da OTAN, é o terceiro país com mais efetivos mobilizados em missões de paz e segurança e aquele que mantém mais tropas no flanco oriental da Europa.
Nessa mesma linha, destacam que a Espanha é o segundo maior contribuinte em capacidades navais da Aliança e o quarto em termos de capacidades aéreas. Uma contribuição que está acima do que, a priori, caberia à Espanha devido ao seu tamanho e porque o país não é nem a segunda nem a quarta maior economia da Aliança, conforme destacam.
RUTTE PEDIU PLANOS “CRÍVEIS”
Rutte vem insistindo que a Espanha terá que gastar mais do que afirma e considera que o país deve atingir 5% e gastar 3.500 milhões de euros, em vez dos 2.200 que a Espanha calcula. “O tempo dirá quem está certo, mas acredito que sou eu”, chegou a dizer.
Nesta mesma segunda-feira, já em Ancara, o ex-primeiro-ministro holandês instou os países aliados a apresentarem planos “claros, concretos e credíveis” sobre como pretendem atingir a meta de 5%, embora tenha elogiado as conquistas alcançadas até o momento. Embora não tenha mencionado a Espanha, isso foi interpretado como uma referência ao nosso país.
No governo, defendem-se e consideram que a Espanha não é mencionada porque comparece à cúpula “com a tranquilidade de ter cumprido suas obrigações, com os dados em mãos e demonstrando que a Espanha sempre cumpre seus compromissos”, conforme afirmou nesta terça-feira a porta-voz Elma Saiz em uma coletiva de imprensa na Moncloa.
MALA-SENSÇÃO COM O SECRETÁRIO-GERAL
Nesse sentido, fontes governamentais consideram que esse tipo de declaração responde a uma tentativa de apaziguar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem se mostrado muito veemente com vários países europeus, aos quais acusa de não contribuírem o suficiente. Pedem, portanto, seriedade e que se evitem suposições ou especulações, pois, insistem, os próprios dados da OTAN demonstram que a Espanha está cumprindo suas obrigações.
No Executivo, há descontentamento com o secretário-geral, embora vejam essas críticas como meras declarações e afirmem estar dispostos a suportá-las. Além disso, confiam de que não haverá nenhuma consequência real contra a Espanha, pois, além das declarações, os dados comprovam o compromisso com a segurança e a defesa conjunta.
De qualquer forma, Sánchez vai preparado para enfrentar possíveis críticas públicas de Trump ou Rutte e leva consigo uma lista de dados — como os mencionados anteriormente — para demonstrar que a Espanha está gastando mais e melhor e cumprindo o que prometeu.
O presidente chega nesta terça-feira à Turquia, sem sua esposa, Begoña Gómez, à qual o tribunal que a investiga negou a permissão para viajar para este país após ter apreendido seu passaporte. Às 18h30, horário da Espanha, está prevista sua chegada ao jantar oferecido pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, aos chefes de Estado e de Governo.
Na quarta-feira será realizada a sessão de trabalho, e é possível que Sánchez mantenha reuniões bilaterais com alguns líderes à margem da cúpula. Por fim, por volta das 14h30, ele dará uma entrevista coletiva.
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