Alejandro Martínez Vélez - Europa Press - Arquivo
A proclamação ocorre um dia depois que o Royal Post Office também foi listado como um Place of Remembrance.
MADRID, 23 out. (EUROPA PRESS) -
O governo declarou como Local de Memória Democrática o muro do pelotão de fuzilamento do cemitério no leste de Madri, atualmente conhecido como cemitério La Almudena, onde a ditadura de Francisco Franco assassinou quase 3.000 pessoas após o fim da Guerra Civil em 1939.
O Boletim Oficial do Estado (BOE) publicado nesta quinta-feira afirma que "um dos episódios mais sombrios da repressão franquista" ocorreu no muro de La Almudena, e que hoje ele é um "símbolo de dor, resistência e luta por justiça e verdade".
O cemitério "testemunhou" um período de enorme "violência e repressão" após a vitória do lado rebelde liderado por Francisco Franco, quando "perseguições sistemáticas" foram desencadeadas contra aqueles que haviam apoiado a República ou que eram considerados oponentes do novo regime.
Estima-se que, durante o período entre 16 de abril de 1939 e fevereiro de 1944, 2.936 pessoas de muitas cidades espanholas foram assassinadas aqui. Pelo menos 44 foram executadas por garrote e muitas outras foram baleadas na parede sul da necrópole. Seus corpos foram enterrados em valas comuns no próprio cemitério. Entre as vítimas estavam 80 mulheres, incluindo aquelas conhecidas como as "Treze Rosas", que foram fuziladas em 5 de agosto de 1939, de acordo com o BOE.
Os fuzilados eram, em sua maioria, homens e mulheres militantes de partidos de esquerda, sindicalistas, intelectuais e republicanos que se opunham à ditadura, muitos dos quais haviam sido julgados em processos militares "sem as devidas garantias legais".
Esse local de repressão foi mantido até a inauguração da nova prisão de Carabanchel em junho de 1944, quando se tornou um novo local para execuções pelo regime de Franco.
SUA SINALIZAÇÃO E DURABILIDADE DEVEM SER GARANTIDAS.
Além da existência de elementos memoriais já instalados no local, o muro continua sendo "uma cena silenciosa, mas atroz, de violência política", bem como um "símbolo do uso do terror pelo regime de Franco para consolidar seu poder", segundo o acordo.
Como resultado dessa declaração, a durabilidade, a identificação, a explicação e a sinalização adequada desse muro de propriedade da Prefeitura de Madri devem ser garantidas. Além disso, após sua colocação, será proibida "a remoção ou o desaparecimento de vestígios erigidos em memória e reconhecimento de eventos representativos da memória democrática".
O Ministério da Memória Democrática, liderado pelo socialista Ángel Víctor Torres, também promoverá a divulgação adequada, a sinalização com "finalidade comemorativa, de homenagem, didática e restauradora", promoverá a criação de recursos explicativos audiovisuais e digitais e promoverá a instalação de placas, painéis ou sinais interpretativos do memorial.
ROYAL POST OFFICE, UM LUGAR DE MEMÓRIA
Essa nova declaração ocorre um dia depois de o governo ter declarado a Real Casa de Correos de la Puerta del Sol, em Madri, atual sede da Presidência da Comunidade de Madri, como um Local de Memória Democrática pelo papel que desempenhou durante a ditadura de Franco como a Direção Geral de Segurança (DGS), onde eram realizadas torturas "por motivos políticos e ideológicos" contra opositores do regime.
A Comunidade de Madri, liderada por Isabel Díaz Ayuso, tem se oposto fortemente a essa decisão desde que o governo anunciou sua intenção e apresentou um recurso ao Tribunal Constitucional (TC) para impedir o que considera uma invasão de poderes autônomos. Eles argumentam que "um pequeno período no passado da Real Casa de Correos não pode transformar o verdadeiro significado histórico e simbólico e a repercussão que o edifício tem na memória coletiva".
Por sua vez, o Ministro de Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, indicou que a declaração como Lugar de Memória Democrática desse edifício, onde "houve tortura e pessoas que perderam suas vidas defendendo o retorno da democracia, é uma notícia magnífica" para aqueles que defendem "a liberdade, os direitos e a reparação das vítimas". Ele acredita que "todos os democratas" devem se alegrar com essa declaração, "para que esses atos ignominiosos nunca mais se repitam".
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