Publicado 11/05/2026 06:04

O Governo das Canárias vai analisar se vai recorrer judicialmente da autorização para a ancoragem do "Mv Hondius"

Archivo - Arquivo - O presidente das Canárias, Fernando Clavijo, comparece perante a imprensa
GOBIERNO DE CANARIAS - Arquivo

SANTA CRUZ DE TENERIFE 11 maio (EUROPA PRESS) -

O Governo das Canárias está analisando a possibilidade de recorrer judicialmente contra a autorização concedida pelo Governo da Espanha, por meio da Marinha Mercante, para que o navio “MV Hondius”, afetado por um surto de hantavírus, ancore em águas canárias.

Foi o que afirmou o presidente regional, Fernando Clavijo, em entrevista concedida à “Radio Club Tenerife”, reiterando a oposição do Governo regional à chegada do navio às águas das Canárias: “Entendíamos que se tratava de um cruzeiro de luxo, com bandeira dos Países Baixos, (...). Sempre defendemos que ele deveria ir para os Países Baixos. A responsabilidade era do armador e dos Países Baixos, em nenhum caso da Espanha”.

Da mesma forma, e diante de uma mudança nos planos inicialmente acordados com o Governo central, o Governo das Canárias ordenou, no final da tarde do último sábado, à Autoridade Portuária que não autorizasse o ancoradouro do Hondius no Porto de Granadilla, uma decisão que o Ministério do Desenvolvimento bloqueou, uma hora depois, decretando o ancoradouro.

"Esse pedido (de que os Países Baixos, país de bandeira, assumissem a responsabilidade pelo navio) foi ignorado pelo Governo da Espanha e, portanto, quando se toma a decisão de que, por parte do Governo da Espanha, ele venha para as Ilhas Canárias, o que o Governo das Ilhas Canárias sempre buscou foi garantir as melhores medidas de segurança para que ocorresse, neste caso, a evacuação”, acrescentou o chefe do Executivo regional.

Na opinião de Clavijo, outro dos pedidos “ignorados” pelo Estado teria sido a recusa em realizar testes de antígenos dias “antes” da evacuação, que o navio permanecesse “o menor tempo possível” atracado no porto — “havia riscos de comprometer a saúde das Canárias" — e que, caso a capacidade aérea não estivesse disponível a tempo, os Países Baixos ou a Espanha assumissem a responsabilidade pelo transporte dos passageiros.

"Foram essas três questões que não foram atendidas pelo Estado e, portanto, o que fizemos foi, obviamente, deixar que o Governo da Espanha coordenasse e fizesse tudo, e nos colocarmos onde nos coube, que é no Serviço de Saúde das Canárias, com um hospital de campanha em Granadilla”, acrescentou o presidente regional, que adiantou que o Executivo estudará se recorrerá à Justiça para contestar a autorização desse atracamento.

“Se há ou não invasão de competências, veremos posteriormente, porque agora estamos apenas dando uma mãozinha e fazendo tudo o que nos dizem e atendendo a tudo o que nos pedem”, acrescentou.

REPROVA A TENTATIVA DE “RIDICULARIZAR”

O presidente do Governo das Canárias, Fernando Clavijo, criticou o Governo central por querer “ridicularizar” seu último argumento contra o desembarque do “Mv Hondius”, no qual demonstrava seu receio de que algum roedor pudesse descer e colocar em risco a segurança: “Eles quiseram transformar isso em uma anedota e em um meme”.

Clavijo explicou que “havia riscos” dentro do navio, afetado por um surto de hantavírus, para a população das Canárias, e que assim o comunicou em uma conversa privada à ministra da Saúde, Mónica García. Além disso, acrescentou, o próprio Ministério, por meio de uma circular, reconheceu que se trata de um vírus transmitido principalmente “por roedores, através de sua urina, fezes ou saliva”, e que em um relatório do governo foi destacado que haveria uma “remota possibilidade” de que esse roedor pudesse “colonizar” o território.

“É uma mensagem privada, de uma conversa que mantive com a ministra, e que eles quiseram tornar pública. Eu nunca faço isso nem o farei”, concluiu Fernando Clavijo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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