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O Ministério da Saúde da região do Rio da Prata defende que “não precisa pertencer à OMS” para “trabalhar com outros países”
MADRID, 8 maio (EUROPA PRESS) -
O Ministério da Saúde da Argentina acusou nesta quinta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS) de “usar” o surto de hantavírus no cruzeiro de luxo ‘MV Hondius’, que partiu do porto argentino de Ushuaia com destino a Cabo Verde e destino final nas Ilhas Canárias, para “condicionar uma decisão soberana” de seu país, cujo governo anunciou sua saída dessa mesma organização em março de 2026, seguindo os passos dos Estados Unidos, que o fizeram no início daquele mesmo ano.
“A OMS volta a colocar a política à frente das evidências e tenta usar um evento sanitário extraordinário para condicionar uma decisão soberana da Argentina”, destacou o ministério em um comunicado no qual defendeu que essa conjuntura “demonstra que a cooperação técnica não exige subordinação política”.
O referido texto ministerial argentino foi divulgado depois que o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, apontou a possibilidade de os governos da Argentina e dos Estados Unidos reconsiderarem o retorno à organização, ao se verem “afetados” pelo surto dessa infecção respiratória à qual, ressaltou, “não se importa” com “fronteiras” nem com “política”.
“Acredito que eles reconsiderarão suas decisões porque podem ver o quanto a universalidade é importante para a segurança sanitária, pois os vírus não se importam com nossa política, nem com nossas fronteiras, nem com todas as desculpas que possamos ter”, refletiu Tedros em coletiva de imprensa horas antes.
Em relação aos casos de hantavírus, o Ministério da Saúde argentino garantiu manter “ativo” o “monitoramento epidemiológico preventivo”, bem como manter o intercâmbio de informações com outros países e trabalhar “em conjunto com as jurisdições” para “reconstruir o percurso dos primeiros casos”.
Nessa linha, a autoridade sanitária do Rio da Prata reivindicou a “capacidade técnica e a decisão política” do país para “proteger a saúde da população”. É por isso que, afirmou, “mantém a cooperação internacional quando necessário, incluindo o vínculo técnico com a Organização Pan-Americana da Saúde, no âmbito regional” e “sem abrir mão da prerrogativa de definir suas próprias decisões sanitárias”.
Dessa forma, o comunicado do ministério reflete a afirmação categórica de Buenos Aires de que a Argentina “não precisa pertencer à OMS para trabalhar com outros países”.
“A saúde dos argentinos é defendida com gestão, capacidade técnica e decisões próprias”, diz o texto, acrescentando que “os organismos internacionais financiados por todos, que apoiaram medidas sanitárias desastrosas e nunca revisaram seriamente seus erros, deveriam explicar seus fracassos antes de pretender impor condições a um país soberano”.
Essas palavras estão em linha com o argumento apresentado pela Casa Rosada quando abandonou a OMS, alegando então “profundas discrepâncias” em torno da gestão da pandemia da COVID-19 e em nome da “soberania” nacional em questões sanitárias.
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