Diego Radamés - Europa Press
MADRID, 1 jul. (EUROPA PRESS) -
A porta-voz do governo, Elma Saiz, rejeitou as críticas do Partido Popular à chamada “Lei dos Netos”, que concede a nacionalidade espanhola aos descendentes de vítimas de represálias do regime de Franco que deixaram a Espanha quando, segundo ela, o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, incluía essa medida “em seu programa eleitoral” e a promovia em visitas a países como a Argentina.
Em entrevista à “RNE”, divulgada pela Europa Press, a ministra de Migrações, Previdência Social e Inclusão atribuiu essa “mudança” na política do PP às exigências do Vox devido aos acordos firmados em várias comunidades autônomas.
“Em seu próprio programa eleitoral, ele estava apresentando, contemplando, apoiando, anunciando e compartilhando com cidadãos espanhóis em outras partes do mundo medidas desse tipo”, destacou ela, referindo-se ao período em que Feijóo foi presidente da Xunta da Galícia e às suas viagens durante a campanha eleitoral à América do Sul.
Nesse sentido, ela ressalta que o atual líder do PP viajava “a determinados países, comprometendo-se com essa reparação e essa justiça para com as pessoas que tiveram que fugir da ditadura”. Agora, porém, “segue o ditame” dos acordos com o partido de Santiago Abascal.
A porta-voz, além disso, enfatiza que essa medida está prevista na Lei da Memória Democrática, aprovada em 2022 pela maioria do Congresso dos Deputados e, portanto, ao rejeitar sua aplicação, o PP está se opondo ao “Estado de Direito”, afirma.
“A questão fundamental é se aceitamos ou não conceder a nacionalidade a essas pessoas e, até o momento, havia consenso”, sobre o assunto, indicou ela em seguida. Em sua opinião, essa é uma posição “extrema e antisistema” que exclui o PP da categoria de partido de Estado.
NÃO VAI LER O LIVRO DE CERDÁN
Por outro lado, Saiz garantiu que o processo para levar ao Congresso um projeto de Orçamento Geral do Estado (OGE) segue seu curso e que pretende concluí-lo “na forma e no prazo previstos”, ou seja, que haja uma votação antes do fim deste ano de 2026.
Além disso, ao ser questionada sobre uma possível antecipação de alguns meses das eleições gerais, para que sejam realizadas na próxima primavera, ela insiste que elas ocorrerão no ano de 2027 “quando for a hora” e reiterou que a convocação é uma prerrogativa do presidente Pedro Sánchez.
Por fim, ela afirmou que não leu o livro publicado recentemente pelo ex-secretário de Organização do PSOE, Santos Cerdán, que está sendo investigado por vários casos de corrupção, e não tem intenção de lê-lo, embora demonstre “respeito” pelo “que ele tenha querido contar”.
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