Marta Fernández - Europa Press
Afirma que a legislatura se estenderá até 2027 porque “não há nada que afete” o Executivo
MADRID, 21 maio (EUROPA PRESS) -
O Governo mantém sua defesa do ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, a quem consideram uma pessoa “honrada”, e garante que não teme a reação dos parceiros parlamentares, que na véspera começaram a mudar de posição e expressaram preocupação com as acusações que pesam sobre o ex-líder socialista.
Assim, fontes de Moncloa insistem na “falta de provas documentais” contra Zapatero no auto emitido na terça-feira pelo juiz da Audiencia Nacional José Luis Calama, que lhe imputa crimes de tráfico de influências e organização criminosa.
O juiz responsável pela investigação tem na mira o resgate público concedido pelo governo à companhia aérea espanhola com capital venezuelano “Plus Ultra” e suspeita que Zapatero tenha intercedido ilegalmente em troca de um benefício econômico.
Mas em Moncloa defendem categoricamente a legalidade dessa ajuda pública concedida durante a pandemia de Covid e negam que ela possa manchar o Executivo. “Não há nada que afete o governo”, afirmam.
DESAFIAM A APRESENTAR UMA MOÇÃO DE CENSURA
Na véspera, parceiros parlamentares como Sumar, Compromís e ERC exigiram explicações dos socialistas e abandonaram a tese do “lawfare”, ou seja, que este processo responda a uma guerra judicial com a intenção de atacar o governo.
Mesmo assim, no Governo demonstram tranquilidade e não veem em risco a continuidade do Executivo, que permanecerá até 2027, como o presidente Pedro Sánchez se encarregou de sublinhar no Congresso, para dissipar as dúvidas sobre a possibilidade de eleições antecipadas.
“Quem quiser apresentar uma moção de censura, que o faça”, afirmam fontes governamentais, desafiando o PP e o Vox a iniciar o processo parlamentar para derrubar Sánchez, convencidos de que não têm maioria para levá-la adiante.
À ESPERA DO RELATÓRIO DA UDEF
O PP, repreendem, quer traçar uma linha com a Presidência do Governo para vinculá-la a este caso, mas no documento de Calama, ressaltam, “não há nenhuma prova contra o Governo”. Além disso, o resgate da companhia aérea, lembram, já foi investigado por um tribunal na Plaza de Castilla e o caso foi arquivado.
Uma vez que o sigilo do inquérito foi levantado, no Governo aguardam a publicação do relatório da Unidade Central de Delitos Econômicos e Fiscais (UDEF), no qual o juiz Calama baseia sua decisão. “Se houver provas, elas deveriam estar lá”, afirmam.
Enquanto isso, insistem que têm “total confiança em sua inocência”, consideram que ele é uma pessoa honrada e, até o momento, não viram evidências que os levem a duvidar disso.
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