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MADRID, 5 jun. (EUROPA PRESS) -
O ministro da Justiça da Bolívia, César Siles, ameaçou usar o exército "se necessário" para garantir a realização das eleições em 17 de agosto, à medida que aumenta a tensão sobre os bloqueios feitos por grupos de partidários do ex-presidente Evo Morales, que insistem que ele seja aceito como candidato apesar de sua desqualificação.
"Parece que essas mobilizações, além de algumas questões temporárias que são usadas como desculpa, têm como objetivo interromper o processo eleitoral, interromper o calendário eleitoral. No entanto, como o presidente (Luis Arce) já disse, faremos todos os esforços com a ajuda das forças públicas e, se necessário, das forças armadas", disse Siles durante uma coletiva de imprensa.
Os bloqueios, que começaram na segunda-feira e se espalharam por várias partes do país, têm como objetivo conseguir a renúncia de Arce, a quem acusam de ser incapaz de resolver a grave crise econômica pela qual passa o país latino-americano. Nesse sentido, a região de Cochabamba é a mais afetada.
Os líderes do Pacto de Unidade, que apóiam Morales, afirmam que as mobilizações continuarão e que, caso o ex-presidente seja finalmente retirado da disputa, "não haverá eleições", de acordo com informações obtidas pelo jornal 'Los Tiempos'.
Em vista dessa posição, Siles enfatizou que "as marchas e os protestos não apenas violam o direito de todos os bolivianos de votar em 17 de agosto, mas também violam direitos importantes, como o direito à liberdade de movimento e o direito à saúde".
DENÚNCIA CONTRA MORALES
É por isso que o governo indicou que planeja apresentar uma queixa contra Morales pelos crimes de terrorismo, incitação à violência e obstrução do processo eleitoral. "Ele não pode prejudicar os direitos da população sem consequências", disse Siles.
Os bloqueios, que persistem em pelo menos 20 pontos nas estradas que ligam o leste e o oeste do país, estão prejudicando o fornecimento de combustível e alimentos. Entretanto, o ministro boliviano enfatizou que Morales também poderia estar cometendo um delito eleitoral, já que ele nem sequer tem um partido político.
Anteriormente, Morales indicou em uma mensagem transmitida nas redes sociais que as acusações feitas pelo governo são "falsas" e argumentou que os protestos e bloqueios são uma resposta à "crise, fome e injustiça".
Além dessa tensão crescente nas ruas, há disputas entre Evo Morales e os Arcistas dentro do Movimento ao Socialismo (MAS). Essas diferenças se agravaram a ponto de o próprio presidente acusar Morales de tentar dar um "golpe de Estado" com sua convocação para as manifestações, apesar de o Tribunal Constitucional ter endossado sua desqualificação - conforme indicado na Carta Magna que ele mesmo promulgou.
Apesar dessa decisão judicial e do fato de Morales já ter cumprido três mandatos consecutivos no cargo, o político boliviano tentou concorrer ao cargo de várias maneiras, todas sem sucesso até agora.
Na semana passada, o Partido Nacional Boliviano (Pan-Bol) foi impedido pelos tribunais de registrar seus candidatos nas eleições porque o partido estava fora do prazo e havia obtido menos de 3% dos votos nas eleições anteriores, conforme estabelecido pela lei eleitoral boliviana.
Anteriormente, as autoridades eleitorais determinaram que sua formação Evo Pueblo "não existe", impedindo também sua candidatura, depois que a Frente para la Victoria (FPV) ficará de fora, pois perdeu seu status legal por não ter ultrapassado o limite da lei eleitoral para as eleições de 2020.
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