Publicado 08/04/2025 00:46

Governo argentino processa juiz que ordenou que não interviesse no protesto de quarta-feira

Archivo - 17 de dezembro de 2023, Ciudad Autonoma, Buenos Aires, Argentina: Pela terceira vez, a polícia atacou a marcha dos aposentados todas as quartas-feiras com pás e spray de pimenta.
Europa Press/Contacto/Virginia Chaile - Arquivo

MADRID 8 abr. (EUROPA PRESS) -

O Ministério da Segurança da Argentina processou o juiz que ordenou que o governo não "interviesse" na mobilização convocada para esta quarta-feira em Buenos Aires contra a reforma previdenciária por "mau desempenho", uma queixa que foi apresentada ao Conselho do Judiciário da capital argentina.

"Já denunciamos o juiz (Roberto Andrés) Gallardo por mau desempenho. Ele desconsiderou o Ministério Público, que se opôs alegando que não havia 'nenhum caso' e que ele era abertamente incompetente, alertando que sua intervenção seria 'um abuso do sistema'. E, de fato, o sistema foi abusado. Agora ele que assuma o comando", anunciou Fernando Soto, diretor de Regulamentação e Ligação Judicial do Ministério da Segurança Nacional, em sua conta no site de rede social X.

Horas antes, ele havia acusado o magistrado de fazer "política usando o sistema judiciário", considerando-o "um militante de esquerda". "Em seu escritório, ele tem fotos de Che (Guevara) e (Vladimir) Lênin. E ele usa orgulhosamente um anel com a cruz vermelha do Soviete Russo", acrescentou, acompanhando a mensagem com imagens.

Por esse motivo, esse alto funcionário da pasta ministerial chefiada por Patricia Bullrich indicou que Gallardo "deve ser julgado e" removido de seu cargo. "O juiz (...) excedeu gravemente suas funções. Do Ministério da Segurança, vamos recusá-lo, levantar a incompetência, a nulidade de tudo o que foi feito e vamos recorrer", assegurou.

Essa exigência do governo de Javier Milei ocorre depois que o magistrado aceitou um recurso dos sindicatos para exigir que a cidade de Buenos Aires administre a segurança de forma "autônoma" e os direitos dos manifestantes nos protestos contra a reforma previdenciária previstos para quarta-feira na capital argentina.

O sindicato também pediu ao governo federal que "se abstenha de intervir e interferir na autonomia da Cidade Autônoma de Buenos Aires em termos de segurança pública, além dos limites legais de proteção dos interesses federais", de acordo com o jornal quinzenal 'Perfil'.

Os sindicatos - incluindo a Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior do país - argumentaram em sua apelação que as forças policiais lideradas pelo Ministério da Segurança agiram "ilegalmente" durante as manifestações de 12 de março, excedendo suas funções, enquanto Gallardo considera que houve uma "atitude preocupante e excessiva" por parte delas.

Cerca de 120 pessoas foram presas durante os protestos de 12 de março em torno do Congresso. Organizações como a Human Rights Watch denunciaram os abusos cometidos pelas forças de segurança naquele dia, enquanto o governo afirma que houve infiltração de grupos violentos de torcedores de futebol.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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