Publicado 24/02/2026 04:10

O Governo aprova hoje a desclassificação dos documentos do 23-F «para saldar uma dívida histórica».

Archivo - Arquivo - 23 DE FEVEREIRO DE 1981 - MADRID, ESPANHA: O tenente-coronel da Guarda Civil, Antonio Tejero, entra no Congresso dos Deputados durante a segunda votação de investidura de Leopoldo Calvo Sotelo como presidente do Governo.
Europa Press - Europa Press - Arquivo

Eles poderão ser consultados a partir do dia 25 no site da La Moncloa MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) -

O Governo aprova esta terça-feira, na reunião ordinária do Conselho de Ministros, a desclassificação dos documentos do golpe de Estado ocorrido em 23-F de 1981 pelo tenente-coronel Antonio Tejero, precisamente quando se cumprem 45 anos.

O presidente do Governo, Pedro Sánchez, anunciou isso em uma mensagem na rede social 'X', na qual afirmou que "a memória não pode ficar trancada" e destacou que esses documentos serão desclassificados para "salvar uma dívida histórica com os cidadãos".

O chefe do Executivo indicou ainda que “as democracias devem conhecer seu passado para construir um futuro mais livre” e agradece àqueles que abriram caminho. A ministra porta-voz, Elma Saiz, fornecerá todas as informações a respeito na coletiva de imprensa habitual após a reunião do Governo. De acordo com fontes de Moncloa, a desclassificação entrará em vigor na próxima quarta-feira, dia 25, com sua publicação no Boletim Oficial do Estado. A partir desse momento, os documentos estarão à disposição de todas as pessoas interessadas na página oficial de Moncloa.

Entre os documentos pendentes de desclassificação encontram-se o resumo completo do julgamento que está guardado no Supremo Tribunal, composto por 89 autos e que inclui gravações originais e declarações dos envolvidos; os arquivos dos Serviços de Inteligência, o CNI da época chamado CESID, com os documentos internos e as transcrições das gravações das escutas da noite do golpe de Estado, que foram classificadas como “ultrassecretas”; e também as comunicações da Casa Real, Moncloa e os relatórios internos de mobilização emitidos pelas diferentes regiões militares.

Em 2025, o Governo aprovou um projeto de Lei de Informação Classificada, que pretende substituir a legislação franquista sobre segredos oficiais. O projeto foi remetido ao Congresso dos Deputados e está em tramitação.

Este projeto prevê a desclassificação automática após 45 anos dos segredos oficiais considerados “ultrassecretos”; após 35 anos para os classificados como “secretos”; entre 7 e 9 anos para as informações “confidenciais” e entre 4 e 6 anos para as informações “restritas”. Hoje se completam precisamente 45 anos do golpe de Estado de 23 de fevereiro de 1981. O tuíte publicado por Sánchez inclui uma gravação da intervenção do escritor Javier Cercas no Parlamento, na presença do presidente do Governo, na qual lhe pede que desclassifique tudo o que puder sobre o golpe de Estado.

Cercas, autor do livro Anatomia de um instante, sobre o 23-F, afirmou nessa comparecência que “continuam a ser contadas boatos e mentiras imparáveis sobre o 23-F”, pelo que pediu ao chefe do Executivo que desclassificasse “tudo o que puder” sobre o golpe de Estado.

“A interpretação do golpe de Estado não mudará nada, porque sabemos a verdade, e os que espalham boatos e mentiras continuarão a fazê-lo, mas pelo menos terão menos um instrumento a que se agarrar para as suas mentiras”, acrescentou o escritor.

CRÍTICAS DO PP E DO VOX Pelo PP, a vice-secretária de Regeneração Institucional, Cuca Gamarra, questionou se os documentos do 23-F “vão revelar algo” que não se saiba e apontou que o que “a Espanha precisa são explicações sobre o presente”. Em termos semelhantes, o líder do Vox, Santiago Abascal, pediu a Sánchez que fizesse o mesmo com os “negócios de alterne” que pagaram sua “carreira política”.

A coordenadora do Movimento Sumar, Lara Hernández, comemorou a desclassificação dos documentos do golpe de Estado de 23-F, embora tenha assegurado que “não é suficiente”, por isso defendeu a necessidade de levar adiante o projeto de lei de informação classificada. Na mesma linha, reagiu o coordenador federal da IU, Antonio Maíllo, que vê isso como uma “boa notícia” e exigiu o fim da “infame lei dos segredos oficiais do franquismo de 1968”, uma questão que também foi insistida pelas fileiras do Podemos.

Mais crítica foi a secretária-geral do ERC, Elisenda Alamany, que o classificou até como “cortina de fumaça” diante da falta de liderança de Sánchez. Por sua vez, Bildu e o PNV desafiaram o presidente do Governo a fazer uma memória histórica “verdadeira” e não apenas aproveitar o aniversário da tentativa de golpe de 23 de fevereiro de 1981 para desclassificar documentos relativos a esse episódio, e, de fato, lembram-lhe que outros documentos oficiais referentes a fatos ainda mais antigos, como o “caso Zabalza” ou os crimes do GAL, continuam em segredo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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