Publicado 12/03/2026 11:22

O Governo apresenta uma exposição sobre os republicanos espanhóis que libertaram Paris em 1944

O ministro da Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, e a ministra delegada francesa junto ao Ministério das Forças Armadas e Assuntos dos Veteranos, Alice Rufo, durante a inauguração da exposição “Libération. Paris 1
Alejandro Martínez Vélez - Europa Press

MADRID 12 mar. (EUROPA PRESS) -

A exposição “Libération. Paris 1944. Espanhóis, exílio e resistência” propõe um percurso em Madri pela história dos republicanos espanhóis que participaram da libertação de Paris durante a Segunda Guerra Mundial, em especial os combatentes de “La Nueve”, uma companhia integrada principalmente por exilados da Espanha dentro da segunda Divisão Blindada francesa.

Comissariada pelo historiador Diego Gaspar Celaya, a exposição chega aos jardins do Campo del Moro, na capital, como um percurso cronológico pela participação dos espanhóis na resistência europeia, desde o exílio após a Guerra Civil até o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

O projeto reúne fotografias históricas, recursos audiovisuais e material documental que permitem reconstruir a trajetória desses combatentes e lembrar os exilados espanhóis que continuaram a luta contra o fascismo na Europa após abandonarem a Espanha.

A exposição está estruturada em nove blocos temáticos ordenados cronologicamente, que reconstituem a história social da companhia e contextualizam sua participação na libertação de Paris em 24 de agosto de 1944.

Além disso, o percurso é apresentado através de dez painéis expositivos em forma de livro, instalados ao longo do passeio do Campo del Moro, que combinam imagens históricas e textos explicativos em espanhol, francês e inglês.

Durante a apresentação, participaram o ministro da Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, e a ministra francesa delegada junto ao Ministério das Forças Armadas e Assuntos dos Veteranos, Alice Rufo, que destacaram o valor da memória democrática compartilhada entre a Espanha e a França.

TORRES: “EXEMPLO DE DEFESA DOS VALORES DEMOCRÁTICOS” A partir daqui, o ministro definiu a história dos combatentes espanhóis como “um exemplo de defesa dos valores democráticos”. Segundo ele, a história dos 181 espanhóis que integraram “La Nueve” encarna “a essência do que significa ser democrata”. O titular da Memória Democrática defendeu ainda que a exposição constitui um “exercício de gratidão” para com aqueles que lutaram contra o fascismo e, ao mesmo tempo, “uma homenagem à paz e à liberdade”.

Nesse sentido, alertou que, num contexto internacional em que — segundo indicou — «parecem ter-se enfraquecido alguns dos princípios do direito internacional e os valores surgidos após a Segunda Guerra Mundial, é relevante conhecer o que aconteceu a 24 de agosto de 1944».

Para Torres, essa façanha também significou a entrada da Espanha nos anais da memória democrática europeia e reforçou os laços entre a Espanha e a França, países que compartilham os valores de “liberdade, igualdade e fraternidade”.

Nessa linha, o ministro lembrou que o governo declarou, em 25 de agosto de 2025, o Jardim da Nueve, em Paris, como Local de Memória Democrática, em reconhecimento ao papel desses combatentes.

Além disso, apelou à preservação desses valores para as gerações futuras e alertou que a convivência democrática pode ser rapidamente quebrada se os seus princípios não forem protegidos. “Que os jovens tenham consciência do tesouro que possuem. Isso significa que vocês podem votar em liberdade, podem se expressar como quiserem e podem pensar como quiserem”, reiterou o ministro.

“SOLIDEZ E VÍNCULO HISTÓRICO” ENTRE A ESPANHA E A FRANÇA Por sua vez, Rufo destacou que a exposição simboliza a memória europeia compartilhada entre os dois países, a “solidez” dessa relação e o “vínculo” histórico que une a Espanha e a França na luta contra o fascismo.

Nesse contexto, ela lembrou que os soldados de "La Nueve" batizaram seus veículos com nomes de batalhas da Guerra Civil Espanhola, como Guadalajara, Teruel, Guernica ou Ebro, em memória dos combates travados durante o conflito.

A representante francesa relembrou as palavras do poeta Louis Aragon, que descreveu os resistentes estrangeiros como “estrangeiros e, no entanto, irmãos”, uma expressão que, segundo ela, “reflete o lugar que os homens de 'La Nueve' ocupam hoje na memória francesa”.

UM NOVO OLHAR HISTÓRICO SOBRE “LA NUEVE” Por outro lado, o curador da exposição explicou que o objetivo do projeto é oferecer “um olhar rigoroso” sobre a história de “La Nueve” e sobre a participação espanhola na resistência europeia.

Segundo ele, a exposição pretende oferecer uma visão baseada na pesquisa histórica em um contexto em que “o passado costuma ser objeto de disputas e reinterpretações”.

“Existe um confronto constante entre o trabalho dos historiadores e os relatos simplificados ou ideologizados da história, que muitas vezes recorrem à memória seletiva, ao esquecimento ou mesmo à distorção dos fatos”, alertou.

Por isso, o curador destacou que a exposição pretende oferecer um novo olhar sobre a história dessa companhia, “livre de preconceitos e baseada no rigor histórico”.

Além disso, lembrou que por esta companhia passaram quase 350 homens de 13 nacionalidades diferentes, embora a presença espanhola fosse maioritária, o que torna “La Nueve” um símbolo da participação do exílio republicano na libertação da Europa.

Gaspár destacou ainda que o percurso expositivo mostra como a própria evolução da companhia foi marcada pelo desenrolar da guerra, que foi transformando sua composição e seu papel no conflito. Neste contexto, ele insistiu na importância de “recuperar a memória dos homens e mulheres que lutaram e morreram pela liberdade da Europa”. COOPERAÇÃO ENTRE ESPANHA E FRANÇA

Após a inauguração, Torres e Rufo assinaram um memorando de cooperação destinado a reforçar a investigação e a divulgação da memória comum europeia ligada à participação dos espanhóis nas forças de libertação durante a Segunda Guerra Mundial.

O acordo visa promover o intercâmbio de informações e o desenvolvimento de iniciativas conjuntas em áreas como a investigação académica, a divulgação da memória democrática, a promoção dos direitos humanos e o impulso de uma cultura de paz.

A exposição começou a ser preparada em fevereiro de 2024, durante uma viagem oficial do ministro Torres a Paris, coincidindo com os eventos do 80º aniversário da libertação da capital francesa, momento em que foi anunciada a cessão temporária à Espanha do blindado semirruga utilizado pelos combatentes espanhóis.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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