MELILLA, 1 ago. (EUROPA PRESS) -
A delegada do Governo em Melilla, Sabrina Moh, destacou que a reabertura gradual da fronteira em ambos os sentidos com o Marrocos, decidida neste sábado após quase dois dias de fechamento para conter as ondas de migrantes, ocorreu “após a diminuição da pressão migratória nas últimas horas”, uma decisão tomada, conforme explicou, “com base em critérios de segurança e em coordenação permanente com as autoridades marroquinas”.
Sabrina Moh garantiu que a prioridade nesta primeira fase foi facilitar a passagem dos viajantes afetados pela Operação Passagem do Estreito (OPE), muitos dos quais permaneciam retidos desde a noite de quinta-feira.
“Por questões humanitárias, era preciso dar-lhes essa agilidade”, destacou a delegada, lembrando que alguns estavam há mais de 36 horas esperando para cruzar a fronteira. Paralelamente, também foi restabelecido o acesso a Melilha para os cidadãos que haviam ficado retidos em Marrocos durante o fechamento.
De acordo com os dados fornecidos pela delegada do Governo, durante as duas primeiras horas após a reabertura, cerca de 150 veículos cruzaram em direção ao Marrocos, enquanto entre 70 e 80 entraram em Melilha. O tráfego de pedestres também foi restabelecido em ambos os sentidos por meio de grupos organizados de cerca de vinte pessoas, a fim de garantir a segurança e a fluidez da passagem.
Moh precisou que a situação continuará sendo avaliada de forma contínua e que as decisões sobre o funcionamento da fronteira serão tomadas de acordo com a evolução das circunstâncias.
A reabertura ocorre após duas noites de intensa atividade em diversos pontos do perímetro fronteiriço e após um amplo dispositivo coordenado entre as Forças e Órgãos de Segurança do Estado e os demais serviços envolvidos.
Durante sua coletiva, a delegada agradeceu o trabalho realizado por todos os efetivos participantes, com menção especial à Guarda Civil e à Polícia Nacional, cujos agentes trabalharam “minuto a minuto” de forma conjunta para responder à situação.
Moh explicou que, durante a madrugada passada, foram realizadas novas ações em vários pontos sensíveis, entre eles o Dique Sul, a fronteira de Beni Enzar e a área do Barrio Chino. Segundo ela, essa última área e a Barragem Sul representaram a maior complexidade da operação, chegando a reunir, entre as duas e as quatro da madrugada, cerca de mil pessoas nas imediações da fronteira.
A delegada também destacou a colaboração das forças de segurança marroquinas, cuja coordenação com as equipes espanholas ela qualificou como “excelente”, e ressaltou o trabalho preventivo realizado para impedir novas tentativas de entrada irregular.
Quanto ao balanço da noite, Moh informou que 15 menores, dos quais quatro meninas, além de quatro mulheres, conseguiram entrar em Melilla. Números esses que, em sua opinião, refletem a eficácia do dispositivo mobilizado durante um dia de máxima pressão migratória.
Além disso, ela anunciou a chegada de novos reforços para manter a capacidade operacional do dispositivo. Aos especialistas da Guarda Civil já deslocados para Melilla se juntará, durante a tarde, um novo contingente da Guarda Civil e, nas próximas horas, também chegarão novos efetivos da Polícia Nacional. Esses reforços permitirão dar folga ao pessoal que vem trabalhando ininterruptamente há vários dias.
Por fim, Sabrina Moh agradeceu a colaboração da Proteção Civil, da Cruz Vermelha e da Polícia Local por seu trabalho tanto na assistência humanitária quanto na regulamentação do tráfego e nos bloqueios rodoviários necessários durante a operação, e fez um apelo à tranquilidade, destacando a coordenação entre todas as administrações e afirmando sentir-se “especialmente orgulhosa de nossas Forças e Órgãos de Segurança do Estado”.
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